terça-feira, março 03, 2026

ARQUIVO PÚBLICO DE OLINDA

ARQUIVO PÚBLICO DE OLINDA Prof. Severino Vicente – Biu Vicente Um arquivo público deve ser visto como um espaço sagrado onde estão guardadas as informações sobre a vida de nossos ancestrais; foram criados com o intuito de complementar uma das funções de nosso cérebro, a memória, e isso indica que um arquivo é parte de nosso corpo, um dos nossos organismos. Eis uma razão pela qual deve ser cuidado. Estive ontem, dois de março, em uma reunião celebrativa dos quarenta e três anos do Arquivo Público Antonino Guimarães, mais conhecido como Arquivo Público de Olinda. Atualmente ele funciona na antiga residência de Claudino Leal, industrial e investidor que viveu no final do século XIX, e foi diretor da Companhia Santa Tereza, que foi responsável pelo fornecimento de luz e água para a cidade. O Prédio foi tombado pela Prefeitura da cidade, que hoje mal olha para o prédio que está ao seu lado. Infelizmente esse tem sido o comportamento das mais recentes administrações, independente de suas opções político-ideológicas, como se percebe pelas paredes rachadas, pela ausência de computadores e ligações com a rede internacional de comunicação. A ausência de concursos públicos para suprir vagas da aposentadorias, faz o Arquivo depender de apenas dois funcionários, um deles participante da fundação da instituição, e outro às vésperas da aposentadoria. Em Olinda, cidade reconhecida pela UNESCO, por guardar a memória do mundo, as administrações parecem desejar o fim da memória, a impossibilidade de fazer a história. Qual a origem de tal desleixo, de tal desapego por sua história. A resposta mais fácil, e falsa, é lembrar a herança portuguesa, mas desde 1824 decidimos colocar essa herança no lixo. Mais difícil é admitir que os que comandaram a cidade, Pernambuco e o Brasil, não tinham - não têm – interesse em formar uma nação, esta é formada a partir do conhecimento que possue de si mesma, e esse requisito é dado pela história, por seu estudo e reflexão. Mas não permitiram, e continuam não a não permitir, que o povo que forma a nação tenha acesso a uma moradia que lhe permita local para estudo; evitam criar escolas para o povo e não cuidam da formação permanente e séria, para que os professores possam fazer o seu trabalho com qualidade cada vez melhor; criam políticas para evitar a melhoria dos salários, mantendo-os ao nível da escravidão, que ensinam ter acabado no final do século XIX. Essas são as mazelas que pretendem esconder com a destruição do Arquivo Público Antonino Guimarães. No dia 2 de março, eu e vários companheiros, recebemos um certificado de “Amigos do Arquivo”. Fazemos pouco, visitamos o local, damos suporte moral aos que ali trabalham. Tenho levado, quando era professor da UFPE, com os meus e seus recursos, meus alunos do curso de História e outros cursos que me chamaram para ministrar aulas, transferir e fazer nascer novos conhecimentos. Foi sempre uma ação emocionante. Necessário que outra pessoas, mestres, doutores, alunos, gente com ou sem diploma encontre um tempo para nos visitar, nos ajudar a manter viva a história do Olinda, preservada em se Arquivo. E verifique se em sua cidade tem um arquivo. 3 de março,2026, Bultrins, Olinda, dia de São João Brito.

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