domingo, novembro 01, 2026

NOVEMBRO DE TODOS OS SANTOS - 2

NOVEMBRO DA LIBERDADE DE TODOS OS SANTOS Prof. Dr. Severino Vicente da Silva (Biu Vicente) Aposentados da UFPE, Membro da CEHILA, Membro do IHO, Membro IHGP Novembro é um mês interessante porque ele começa qual o dia de Todos os Santos, ou seja, é o nosso dia; é o dia de todos os cidadãos é o dia de todos celebrarmos a vida e é o dia de lembrarmos que temos que continuar dos nossos antecessores preparando o caminho para aqueles que virão depois de nós, porque todos nós somos Santos, todos nós somos convidados a buscar a cidade e a cidade passa pelo caminho também do civismo, do amor à pátria, do amor do próximo, do pensamento da humanidade. Todos os Santos é isso que nós somos, é isso que nós teremos que ser no nosso dia a dia. Na última semana nós tivemos a eleição presidencial no segundo turno dessa eleição que para todos nós foi uma grande alegria, para alguns foi uma surpresa: tenho amigos ou pessoas conhecidas que disseram ser inacreditável e impossível como é que isso teria acontecido? e isso aconteceu porque muitos de nós nunca deixamos de acreditar na nossa força, nós não deixamos de acreditar na nossa capacidade de nos unir, de nos manter fiéis aos nossos ideais e aos interesses da pátria, dos colegas, dos amigos da nação, da humanidade; por isso para alguns de nós não foi surpresa, talvez surpreendeu, ou que tivesse surpreendido o número de votantes. Mas isso se deveu ao retorno da Juventude dos mais velhos a presença daqueles que em meados do século passado elegeram pela primeira vez um operário e que fizeram questão de sair de casa para dar mais um voto, talvez o último de suas vidas, àquele operário que, chegando ao poder, trouxe a lembrança, a saudade, a verdade e o desejo constante de mudança e de alegria. Tudo isso nos faz pensar que devemos nos manter juntos da mesma forma que nos unimos para ganharmos eleição presidencial, para fazermos a maravilhosa virada do segundo turno e derrotarmos desta vez, mais uma vez, o fascismo personalizado nessa família infame que desgastou e que praticamente separou parte do país pois bem, temos que nos manter unidos para evitar o retorno deles, que jamais voltarão essa família, mas o fascismo está sempre presente, como dizia o filósofo, ele tem muitos ovos ele aparece em vários lugares, nós nunca o derrotamos definitivamente. ainda por isso temos que nos manter juntos, temos que manter nossa mobilização, nossos partidos não devem se separar de novo do povo, porque é o povo, sabendo ou não os caminhos, é ele que aponta os caminhos do futuro com o seu trabalho, com a sua pertinácia, com sua capacidade de não se render diante estás dificuldades que a enfrenta no seu dia a dia, e digo isso porque é importante dizer essas coisas no início de novembro. Se aqui Olinda, no dia 10 será celebrada a memória da Proclamação da República, a primeira República ou a primeira vez que se falou a palavra República no Brasil, precisamos lembrar que aquele que falou pela primeira vez em República era dono de escravos, era uma das pessoas que liderava o exército para destruição do Quilombo dos Palmares; mas quis a história, quis o destino que seu grito de República na Câmara municipal de Olinda repercutisse até aos dias de hoje, e a população de Olinda continue lembrando, não tanto dele, mas principalmente da ideia da República, essa ideia que fez gerado uma quantidade de experiências na nossa história, e o dia 10 de novembro está ligado também a uma modificação na República, e uma modificação triste que foi a instalação do Estado Novo, de uma ditadura. Então o 10 de novembro é também em momentos de a gente pensar, que diante dos acontecimentos liderados por Getúlio Vargas naquele 10 de novembro, precisamos estar atentos, porque é a mesma data que celebra a ideia da República lamentavelmente, é também a data que celebra a lembrança de uma ditadura a ditadura do Estado Novo. É por isso que devemos estar mobilizados, é por isso que devemos estar atentos, é por isso que nós não podemos desistir jamais das nossas ideias, dos nossos ideais, do objetivo de criar um mundo livre capaz de abranger toda a humanidade. Então nesse dia de Todos os Santos eu desejo a todos que mantenham a fé, desejo a todos que se mantenham unidos, que nos mantenhamos, e devemos nos manter juntos para juntos estarmos sempre pontos para derrotar os fascismos que serão apresentados no dia a dia. Escrito em primeiro de novembro de 26, em Bultrins, Olinda.

nOVDMBRO DE TODOS OS SANTOS

10 DE NOVEMBRO, UMA TRADIÇÃO CÍVICA Prof. Dr. Severino Vicente da Silva Prof. Aposentado da UFPE Sócio do Instituto Histórico de Olinda - IHO Sócio do Instituto Arqueológico e Histórico de Goiana - IAHGO Membro da Comissão de Estudos de Igreja na América Latina - CEHILA Existem muitas tradições na formação e vida de uma nação; e um país como o Brasil, com populações originárias de regiões e continentes diversos, tem muitas tradições a serem cultivadas. Assim certas datas são escolhidas por lembrarem algum acontecimento, um momento histórico para a classe que está no poder, e são lembrados celebrado e celebrados para manter uma certa tradição, manter a coesão e força do grupo social que esteja no poder. Uma dessas datas, para os brasileiros de Olinda, é o 10 de novembro; data que celebra o momento em que a Câmara Municipal de Olinda, em uma sessão comum, recebeu a palavra de um dos seus vereadores, Bernardo Vieira de Mello, e essa palavra qual que animava os seus colegas e a tornar a cidade de Olinda uma República. Foi esta a primeira vez em que, na história da colônia portuguesa na América, essa colônia que hoje conhecemos com o nome de Brasil, ouviu o pronunciamento de uma autoridade conclamando a formação de uma República, palavra República que tanto nós usamos nos dias de hoje por conta da tradição que nos foi herdada pelas lutas francesas nos séculos XVIII e XIX, nas quais o povo, foi em revolta às ruas, mas já organizado em torno de um partido, o jacobino , e proclamou o que se chamou a primeira República francesa. Outras vieram depois, como resultado da constante luta contra os absolutismos que jamais cansam tentar manter os povos submissos. República não é uma palavra nova no vocabulário político, ela vem sendo utilizada desde a época dos gregos, especialmente a partir do livro de Platão , A REPÚBLICA, naquele livro ele menciona que uma população reunida pode formar uma República, ou seja, um governo em que o povo governe a si mesmo. A palavra República é formada de duas: a palavra RES e a palavra PÚBLICA, ou seja, ela menciona que é o espaço onde vivem as pessoas é uma coisa pública um espaço de todos, com a participação de todos os cidadãos, que fazem súditos da cidade ou Pólis, não de um indivíduo, Quando da transição entre o período Medieval para o Moderno, no tempo que Burckhardt, estudioso da cultura e das artes, chamava de Renascença italiana, viu-se a formação de várias repúblicas, aglomerações políticas que eram governadas não por nobres aristocratas, reis ou pessoas de famílias reais, mas por comerciantes burgueses, por gente que tinha vindo do povo; assim nós tivemos a República de Florença, a República de Gênova, a república de Veneza e várias outras quando Bernardo Vieira de Mello veio a proclamar a República aqui em Olinda. Ele vivia a época do Renascimento, a da Renascença italiana que, embora já tenha chegado quase ao seu término, influenciava aqueles que queriam diminuir a autoridade real. A República na qual pensava Bernardo Vieira de Mello não era uma República como pensaram os franceses 100 anos depois, ele julgava e desejava um governo local nas mãos daqueles que detinham o poder local, ou seja, os grandes proprietários de Terra os proprietár ios de escravos, A palavra República, na mente de Bernardo Vieira de Mello não vinha acompanhada da ideia de Liberdade, da ideia de igualdade, da ideia de fraternidade que formavam a tríplice ideal dos franceses no século XVIII. A República sonhada por Bernardo Vieira de Mello e proclamada há 10/11/1710 não continha a ideia da Liberdade dos escravos, mesmo porque o sargento mor de Olinda, vereador da cidade, fazia parte dos Homens Bons, homens de bens que eram proprietários de escravos, em nenhum momento passava pelo pensamento de Bernardo Vieira de Mello a ideia de libertar os escravos concedendo-lhes a Liberdade. Não devemos esquecer que este Bernardo Vieira de Mello fez parte do exército liderado pelo bandeirante Domingos Jorge Velho que destruiu o Quilombo dos Palmares, a resistência republicana de negros que fugiam da escravidão, sob a liderança de Zumbi dos Palmares. Então, Liberdade e República não eram ideias que se conjugavam no pensamento de Bernardo Vieira de Mello, sendo essa uma razão pela qual os vereadores de Olinda decidiram continuar súditos de sua majestade o rei de Portugal. Devemos ter tudo isso em mente quanto nos reunimos em torno das ruínas dessa casa que foi, em algum momento, a Câmara Municipal de Olinda, que essa comemoração não está ligada a ideia da República que atualmente está presente no pensamento político contemporâneo, a tradição que hoje lembramos e devemos celebrar, é por ter sido ela a primeira das manifestações do poder popular organizado ou de alguém com poder que desejava ser organizado pelos nascido na terra, e o popular aqui significa não a maioria dos habitantes, mas os homens livres especialmente os chamados homens bons ou seja os homens de bens da Capitania de Pernambuco, devemos tomar essa ideia de República e atualiza-la para os nossos dias para os atuais desejos, porque uma tradição se mantém não porque cultiva o que aconteceu mas porque é cultivada naquilo que ela movimenta e indica. O que Bernardo Vieira de Mello, ainda que não quisesse, iniciou foi o movimento em torno do poder político para a população. Os demais membros da Câmara municipal de Olinda não acordaram com as ideias e as pretensões de Bernardo Vieira de Mello que fez essa proclamação durante um conflito entre os interesses de Olinda e os do povoado do Recife que crescia de tal forma que buscava ser também uma cidade reconhecida, uma cidade habitada por mascates, ou seja o chamado GRITO DE REPÚBÚLICA de Olinda foi uma tentativa de evitar o avanço político do povoado do Recife e garantir os privilégios da cidade de Olinda na cobrança de impostos e manutenção dos interesses daqueles que comandavam as cidades. Mas esses interesses também atentavam contra autoridade do rei de Portugal, contra a metrópole, por essa razão os demais vereadores não acataram o que desejava Bernardo Vieira de Mello, uma vez que essa república, implicava a separação de Olinda em relação ao poder metropolitano português. A repressão veio em seguida, algum tempo depois a chegada de um novo governador (Manoel Álvares da Costa) que substituiu aquele aquele que abandonara o governo de Pernambuco. Bernardo Vieira de Mello veio a morrer na prisão e seu corpo desapareceu, após o terremoto em Lisboa de 1750. A data 10 de novembro é importante no sentido que nos lembra uma certa rebeldia de um grupo social proprietário de terras e escravos contra o poder metropolitano, um a quase revolta não bem sucedida, e poder metropolitano continuou submetendo o Brasil sob a sua autoridade Nós devemos manter a tradição Siri na barra a República dando-lhe este esta atualização de quê o Brasil tem que ser governado para todos tem que ser uma República agora envolvendo não os escravos mas os ex- escravos os indígenas aqueles que não conseguiram vamos localização no sistema social por isso devemos dizer viva o 10 de novembro o primeiro grito de República do Brasil vivo 10 de dezembro um momento um grito de Liberdade política