domingo, novembro 01, 2026

nOVDMBRO DE TODOS OS SANTOS

10 DE NOVEMBRO, UMA TRADIÇÃO CÍVICA Prof. Dr. Severino Vicente da Silva Prof. Aposentado da UFPE Sócio do Instituto Histórico de Olinda - IHO Sócio do Instituto Arqueológico e Histórico de Goiana - IAHGO Membro da Comissão de Estudos de Igreja na América Latina - CEHILA Existem muitas tradições na formação e vida de uma nação; e um país como o Brasil, com populações originárias de regiões e continentes diversos, tem muitas tradições a serem cultivadas. Assim certas datas são escolhidas por lembrarem algum acontecimento, um momento histórico para a classe que está no poder, e são lembrados celebrado e celebrados para manter uma certa tradição, manter a coesão e força do grupo social que esteja no poder. Uma dessas datas, para os brasileiros de Olinda, é o 10 de novembro; data que celebra o momento em que a Câmara Municipal de Olinda, em uma sessão comum, recebeu a palavra de um dos seus vereadores, Bernardo Vieira de Mello, e essa palavra qual que animava os seus colegas e a tornar a cidade de Olinda uma República. Foi esta a primeira vez em que, na história da colônia portuguesa na América, essa colônia que hoje conhecemos com o nome de Brasil, ouviu o pronunciamento de uma autoridade conclamando a formação de uma República, palavra República que tanto nós usamos nos dias de hoje por conta da tradição que nos foi herdada pelas lutas francesas nos séculos XVIII e XIX, nas quais o povo, foi em revolta às ruas, mas já organizado em torno de um partido, o jacobino , e proclamou o que se chamou a primeira República francesa. Outras vieram depois, como resultado da constante luta contra os absolutismos que jamais cansam tentar manter os povos submissos. República não é uma palavra nova no vocabulário político, ela vem sendo utilizada desde a época dos gregos, especialmente a partir do livro de Platão , A REPÚBLICA, naquele livro ele menciona que uma população reunida pode formar uma República, ou seja, um governo em que o povo governe a si mesmo. A palavra República é formada de duas: a palavra RES e a palavra PÚBLICA, ou seja, ela menciona que é o espaço onde vivem as pessoas é uma coisa pública um espaço de todos, com a participação de todos os cidadãos, que fazem súditos da cidade ou Pólis, não de um indivíduo, Quando da transição entre o período Medieval para o Moderno, no tempo que Burckhardt, estudioso da cultura e das artes, chamava de Renascença italiana, viu-se a formação de várias repúblicas, aglomerações políticas que eram governadas não por nobres aristocratas, reis ou pessoas de famílias reais, mas por comerciantes burgueses, por gente que tinha vindo do povo; assim nós tivemos a República de Florença, a República de Gênova, a república de Veneza e várias outras quando Bernardo Vieira de Mello veio a proclamar a República aqui em Olinda. Ele vivia a época do Renascimento, a da Renascença italiana que, embora já tenha chegado quase ao seu término, influenciava aqueles que queriam diminuir a autoridade real. A República na qual pensava Bernardo Vieira de Mello não era uma República como pensaram os franceses 100 anos depois, ele julgava e desejava um governo local nas mãos daqueles que detinham o poder local, ou seja, os grandes proprietários de Terra os proprietár ios de escravos, A palavra República, na mente de Bernardo Vieira de Mello não vinha acompanhada da ideia de Liberdade, da ideia de igualdade, da ideia de fraternidade que formavam a tríplice ideal dos franceses no século XVIII. A República sonhada por Bernardo Vieira de Mello e proclamada há 10/11/1710 não continha a ideia da Liberdade dos escravos, mesmo porque o sargento mor de Olinda, vereador da cidade, fazia parte dos Homens Bons, homens de bens que eram proprietários de escravos, em nenhum momento passava pelo pensamento de Bernardo Vieira de Mello a ideia de libertar os escravos concedendo-lhes a Liberdade. Não devemos esquecer que este Bernardo Vieira de Mello fez parte do exército liderado pelo bandeirante Domingos Jorge Velho que destruiu o Quilombo dos Palmares, a resistência republicana de negros que fugiam da escravidão, sob a liderança de Zumbi dos Palmares. Então, Liberdade e República não eram ideias que se conjugavam no pensamento de Bernardo Vieira de Mello, sendo essa uma razão pela qual os vereadores de Olinda decidiram continuar súditos de sua majestade o rei de Portugal. Devemos ter tudo isso em mente quanto nos reunimos em torno das ruínas dessa casa que foi, em algum momento, a Câmara Municipal de Olinda, que essa comemoração não está ligada a ideia da República que atualmente está presente no pensamento político contemporâneo, a tradição que hoje lembramos e devemos celebrar, é por ter sido ela a primeira das manifestações do poder popular organizado ou de alguém com poder que desejava ser organizado pelos nascido na terra, e o popular aqui significa não a maioria dos habitantes, mas os homens livres especialmente os chamados homens bons ou seja os homens de bens da Capitania de Pernambuco, devemos tomar essa ideia de República e atualiza-la para os nossos dias para os atuais desejos, porque uma tradição se mantém não porque cultiva o que aconteceu mas porque é cultivada naquilo que ela movimenta e indica. O que Bernardo Vieira de Mello, ainda que não quisesse, iniciou foi o movimento em torno do poder político para a população. Os demais membros da Câmara municipal de Olinda não acordaram com as ideias e as pretensões de Bernardo Vieira de Mello que fez essa proclamação durante um conflito entre os interesses de Olinda e os do povoado do Recife que crescia de tal forma que buscava ser também uma cidade reconhecida, uma cidade habitada por mascates, ou seja o chamado GRITO DE REPÚBÚLICA de Olinda foi uma tentativa de evitar o avanço político do povoado do Recife e garantir os privilégios da cidade de Olinda na cobrança de impostos e manutenção dos interesses daqueles que comandavam as cidades. Mas esses interesses também atentavam contra autoridade do rei de Portugal, contra a metrópole, por essa razão os demais vereadores não acataram o que desejava Bernardo Vieira de Mello, uma vez que essa república, implicava a separação de Olinda em relação ao poder metropolitano português. A repressão veio em seguida, algum tempo depois a chegada de um novo governador (Manoel Álvares da Costa) que substituiu aquele aquele que abandonara o governo de Pernambuco. Bernardo Vieira de Mello veio a morrer na prisão e seu corpo desapareceu, após o terremoto em Lisboa de 1750. A data 10 de novembro é importante no sentido que nos lembra uma certa rebeldia de um grupo social proprietário de terras e escravos contra o poder metropolitano, um a quase revolta não bem sucedida, e poder metropolitano continuou submetendo o Brasil sob a sua autoridade Nós devemos manter a tradição Siri na barra a República dando-lhe este esta atualização de quê o Brasil tem que ser governado para todos tem que ser uma República agora envolvendo não os escravos mas os ex- escravos os indígenas aqueles que não conseguiram vamos localização no sistema social por isso devemos dizer viva o 10 de novembro o primeiro grito de República do Brasil vivo 10 de dezembro um momento um grito de Liberdade política

Nenhum comentário: