terça-feira, abril 01, 2025

O QUE PENSAR NO DIA 1º DE ABRIL DE 2025

O QUE PENSAR NO DIA 1ºDEABRIL DE 2025. Severino Vicente da Silva – Biu Vicente. Faz 61 anos do golpe de estado, frustrado pelo suicídio de Getúlio Vargas; depois ocorreu a tentativa de evitar o governo de Juscelino Kubstchek, graças à ação do militar do “livrinho”, o Marechal Henrique Teixeira Lott, o mesmo que se candidatou para enfrentar Jânio Quadros, o professor meio louco que sozinho pretendia salvar o Brasil. Após ter derrotado o Marechal democrata o Com apoio das “forças ocultas” Jânio foi descartado pelas mesmas. Mas o descarte teve que ser completado com o impedimento do vice-presidente João Goulart, contudo o golpe ficou pela metade e criaram o Parlamentarismo de ocasião. Mas eles não desistiam. Faz 61 anos que o vigário da comunidade católica de Hollywood transferiu para o Brasil a sua pastoral em defesa da família, do Deus dos proprietários contra o comunismo, era uma cruzada que pôs parte do Brasil a rezar o Rosário e promover passeatas para a recitação do Rosário em Praça pública e salvar o país do comunismo. Essa preparação dos espíritos dos pobres de espírito e de dinheiro, não ocorreu isolada, ao lado dela esteve o financiamento de candidatos capazes de vender ou dar o Brasil, destruindo patrimônio nacional deixado por Getúlio Vargas, esteve a constante ameaça de uma invasão do território brasileiro, caso achassem necessário. Conta-se anedota na qual Lincoln Gordon, embaixador americano, ao ver uma placa “o Brasil é nosso”, teria dito sarcasticamente: “querendo nos roubar ladrãozinho?” 61 anos, após chamar o General Castelo Branco “cagão”, o general Mourão Filho, pôs as tropas que comandava a marchar para pôr fim ao governo que tolerava, o governo de João Goulart que cometia o “erro” de ser nacionalista, imaginar fazer uma Reforma Agrária, tornar brasileira a universidade brasileira, fortalecer a indústria nacional. Há 61 anos, setores conservadores reagiram contra as liberdades dos brasileiros e golpearam as possibilidades de um Brasil autônomo e livre, fortalecendo a tendência colonialista dos Estados Unidos da América do Norte. Começava um tempo, como disse uma vez o embaixador brasileiro em Washington e chanceler, o general Juraci Magalhães: “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Era o tempo da Guerra Fria, do marcatismo e do processo e exclusão de Cuba da Organização dos Estados Americanos – OEA, o tempo de golpes de estado contra as democracias, financiadas pela Central de Inteligência Americana – CIA. Fortal Oeceu-se a ideia e prática para que que os assumissem os valores da sociedade americana, esforço realizado através de ações como o Corpo de Paz, a USAID, o que foi feito como a colaboração das igrejas cristãs – católica e protestantes – que passaram a olhar esta parte do mundo como território de Missão. A Guerra dos Deuses foi vivida mais intensa: um grupo buscava a libertação, outro visava os benefícios materiais. Ambos serviram a Baal. A conquista da América Latina era a conquista dos corações e mentes: a produção cinematográfica pretendia seduzir a juventude com os filmes e cultivo dos astros que serviam de modelos de estilo de vida; bolsas de estudos eram ofertadas a universitários que, ao voltar, tornaram-se os organizadores do sistema de pós-graduação, enquanto eram esquecidos os anos iniciais da vida escolar: foi sendo organizada uma casta intelectual coincidente com as tradicionais famílias que sempre dominaram as terras e os governos brasileiros. Os operários tiveram seus salários congelados e diminuídos seus direitos, aqueles que foram conquistados no tempo de Getúlio Vargas. Mas nem todas os religiosos sucumbiram ao canto da sereia, nem todos os jovens aceitaram a escravidão que o possível sucesso prometia, e desde o início houve a resistência que crescia nas intuições dominadas pelo nacionalismo falso, pelo entreguismo fácil. Ficaram com o seu povo nas organizações sociais, na luta pela recuperação e expansão dos direitos sociais e, por isso foram perseguidos pelos “Donos do Poder” e sofreram prisão, exclusão social; outros jovens radicalizaram e formaram grupos de resistência armada, nas cidades e nos muitos sertões e grotões. Foram presos, alguns mortos onde eram encontrados, outros levados a unidades escondidas nos quartéis do exércitos, onde eram seviciados, torturados, alguns mortos e seus corpo desaparecidos, no mar ou incineradores armados em sítios distantes. Os ditadores militares causaram a destruição de cérebros que seriam úteis ao povo brasileiros, destruíram uma geração corajosa e cheia de vida,esperança e confiança no seu povo. Os que fizeram o movimento golpista de 1964, criaram uma ditadura, destruíram um Brasil que estava sendo construído,para que os seus mentores da Escola Superior de Guerra de Washington, mantivesse o seu envergonhado império, pois envergonharam uma geração de jovens estadunidenses. As ordens para matar a juventude brasileira, emanada por um ditador marcou o processo de vitória do povo sobre as forças da morte. Mas eles se agarraram ao poder com uma “abertura gradual e segura”, o que permitiu que hoje tenhamos novos fascistas rondando e querendo impor nova ditadura, utilizando uma massa que segue o primeiro boi de berrar à sua frente, pois perderam a capacidade de discernimento. Hoje, 61 anos depois daquele momento que inaugurou “página infeliz da nossa história” , devemos continuar a luta pela liberdade do povo brasileiro. Essa nossa homenagem àqueles que pavimentaram com suor, sangue e lágrimas, o caminho de um país livre de altivo. Ouro Preto, Olinda, 1º de abril de 2025.

segunda-feira, março 24, 2025

GUERRA ENTRE A QUARESMA E O CARNAVAL

GUERRA ENTRE A QUARESMA E O CARNAVAL Prof. Severino Vicente da Silva – Biu Vicente. Os cristãos, de maneira geral, estão viver os dias finais da Quaresma, para eles um tempo de penitência, reflexão e preparação para viver um tempo de compromisso de mudar de vida, aceitar jogar fora o “coração de pedra” insensível à dor e ao sofrimento dos demais filhos de Deus, seus irmãos. E os cristãos e não cristãos perceberam que esse tempo de Quaresma tem sido marcado pela continuidade de algumas guerras terríveis, de forma que algumas já são vistas como guerra de extermínio de nações e povos. Após sete décadas desde o fim da dita II Guerra mundial, a paz dos cemitérios para ser encerrada. No período de aparente paz, uma paz interna para os povos europeus, parece que apenas os livros didáticos encontram pequeno espaço para dizer que houve guerra na África, guerras dos povos africanos contra os europeus que desejavam continuar a manutenção de sua aparente riqueza com o processo de exploração dos povos africanos e asiáticos. Embora tenham perdido as guerras no Vietnã (povo que venceu os franceses e, em seguida, os estadunidenses), os franceses perderam Argélia, após uma das guerras mais doentias da humanidade, e outras colonias que promoveram a sua riqueza, especialmente durante a Revolução Industrial; os belgas, que assassinaram milhares de congoleses entre o final do século XIX e início do XX, perderam sua colônia, mas conseguiram muita riqueza, guarda pela Suíça, que não tinha colonias, entretanto protegia de tal foram a riqueza conseguida violenta e covarde pelos seus irmãos europeus que estes os protegeram de todas as guerras. E então, não podiam faltar a participação dos mais civilizados, ingleses e alemães, os primeiros, no auge de seu império e os segundos, embora chegassem atrasados com o seu império, marcaram sua presença, não apenas na África, mas puseram sua “civilização” no sul do Brasil, com o apoio do simpático imperador Pedro II. Por seu turno, os estadunidenses, que jamais cultivaram amizade mas sempre criaram interesses, enquanto usavam a escravidão de povos africanos, promoviam o genocídio indígenas, mais especialmente após a Guerra Civil para pôr fim à escravidão e manter o processo de negação à humanidade dos seus novos cidadãos. Mas não podemos esquecer a contribuição dos povos da península Ibérica, os primeiros europeus a invadir os continentes africano, asiático e americano. No ano de 1559, Peter Bruegel pintou famoso quadro representando a Batalha entre a Quaresma e o Carnaval, em uma ápoca de mudança das liberdades – libertinagens? - medievais para a sisudez do Tempo Moderno, que coincide, cuidem bem, com o tempo de ‘acumulação do capital’ necessário para construir o mundo que descrevemos acima. Esse Tempo Moderno de expansão da civilização europeia sobre os demais grupos humanos que habitavam e habitam a terra, provocou muitos debates, por igrejas e universidades, sobre a humanidade, as relações entre os povos, o direito à guerra, os direitos humanos nos estados que estavam em formação; nesse Tempo Moderno foi estabelecido novos modos de convivência entre pessoas e nações, contudo, a sua origem sanguinária parece ter impedido que a Quaresma fosse sequenciada pela Páscoa, pela “nova vida” que se esperava, as questões humanas continuaram sendo resolvidas pelo tradicional método da guerra pela apropriação da riqueza, o que impede a possibilidade de distribuição das riquezas produzidas por todos. Foi assim que aconteceu a I Guerra Mundial, e na sequência, a formação do fascismo e seu pior corolário, o nazismo; o mesmo ocorreu quando os europeus uniram-se para vencer o nazifascismo na II Guerra Mundial, mas preferiram derrotar a sua recente criação, a Organização das Nações Unidas em benefício do Pacto de Varsóvia e da Organização do Tratado Atlântico Norte. E fez a Paz do Cemitério na Europa enquanto povos secularmente subjugados lutavam por suas liberdades. Venceram a Europa, mas já eram ‘europeus’. Talvez o que temos aprendido é que, se a Quaresma não venceu o Carnaval, o que temos hoje é o carnaval de sangue, como bem mostra o ator Peter O’Toole, em cena do famoso filme Lawrence da Arábia, que nos conta a saga da destruição da tradição de povos persas e árabes, divididos para seguir os procedimentos da civilização europeia, sedente de sangue e petróleo. Severino Vicente da Silva, Biu Vicente, Ouro Preto/Bultrins, Olinda 24 de março de 2025B

quarta-feira, março 05, 2025

AS CINZAS DE UM CARNAVAL

As Cinzas de um carnaval Prof. Sverino Vicente da Silva – Biu Vicente Mais um carnaval vivido e, eles nos indicam o quanto já vivemos, o quanto passamos com eles o tempo em suas diversas etapas. Cada carnaval tem suas canções e, os que se deleitam nos movimentos dos corpos e das partituras, as reconhece. Contudo há algumas canções que permanecem e enfrentam os carnavais. Jovens do vigésimo quinto ano do século XXI, cantam animadamente as canções seculares, vestem-se de jardineiras em uma época de muito cimento e poucas flores nos jardins públicos. Alguns carnavais sempre revivem com o Abre Alas da primeira maestrina que fez esta, que se pode chamar de primeira canção de carnaval, à pedido do Bola Preta, que continua a ocupar espaço no centro do Rio de Janeiro, agora tomado pelas escolas de samba, uma criação paralela às escolas nas quais eles, foliões pobres e pretos não tinham acesso. Enquanto isso, no Recife aristocrata e conservador, que permitia o cortejo da corte do maracatu, perseguia os capoeiras que, acompanhando as bandas musicais da polícia, esconderam o corpo guerreiro para surgisse o corpo bailarino, protetor das mulheres que iam brincar na rua, formando blocos. Esses blocos permanecem e, a cada ano, comemora-se o centenário de algum deles. E os mais jovens os seguem, quase sempre sem perceber a história de rebeldia e negociação social que cada um viveu para nascer. Já não existem fisicamente os centenários fundadores, eles são esses rapazes e moças que, nas estreitas ruas da Olinda gestadas antes do século XX, os continuadores da tradição e fundadores dos novos blocos e clubes. O mesmo ocorre no Recife do frevo e do maracatu, na Goiana dos Caboclinhos, em Nazaré da Mata com a Festa dos Caboclos tornada Maracatu de Baque Solto, desde o final do século XIX. Aliás, nunca é demais lembrar que, no século XIX floresceu Pernambuco, antes do Brasil, pois, como disse Saint Hilaire, “havia um país chamado Brasil, mas não havia brasileiros”. Nas cinzas do dia 5 de março, padece mais um carnaval que nunca morrerá enquanto Pernambuco houver. Durante o carnaval os que estão se tornando brasileiros, receberam mais um dado, uma realização, uma vitória. A decadente sociedade estadunidense colocou o mais cobiçado troféu de sua indústria de cinema nas mãos de profissionais que atuam na periferia do centro financeiro do atual império, atualmente dirigido por uma pessoa que julga ser uma potência do século XIX e que, embevecido pela teoria do “fim da História, não leu a Decadência do Ocidente. Walter Salles, Fernanda Torres, Selton Melo e toda a equipe, fizeram o relato de Marcelo Paiva ser uma avenida para indicar que o centro cultural está mudando de endereço. O percurso ainda é longo, mas a história que é construída no cotidiano das pessoas, é mais notada, se a vermos como parte de um processo. Durante o carnaval, na madrugada do primeiro dia houve mais uma razão para “perder” a razão. Soubemos ganhar o título sem chorar pelo que foi “perdido”, e isto é muito importante para a nossa formação. Por outro lado, pudemos verificar que há, habitantes do Brasil que jamais deixaram de glorificar a terra da qual foram expulsos, e também parece que nunca amarão quem os recebeu de braços abertos, ainda que sacrificando parte da população indígena; esses nascidos no Brasil, mas com alma de europeu do final do século XIX, lamentaram a vitória do povo brasileiro que ganhou seu primeiro Oscar. É que no encontro carnavalesco, também há os palhaços, trágicos como os da ópera italiana. O carnaval apresenta um modelo de sociedade, um modo de ver o mundo e viver com os demais seres, humanos ou não, mas sempre alegres. Enquanto anunciava-se esse novo mundo, os filhos do “admirável mundo novo” organizavam-se para a guerra, com soberbos humilhando outros, estes com menos poder e, para seu sofrimento, descobrir que o grande aliado aparece como grande inimigo. Estados Unidos da Amárica do Norte, Rússia demonstram desprezo e, os traídos – Ucrania, Alemanha, França, Reino Unido – descobrem-se pobres e impotentes como os povos que “civilizaram”. Esta Quarta-Feira de Cinzas aponta para o que somos. Ouro Preto, Olinda, 05 de março de 2025. Prof. Severino Vicente da Silva – Biu Vicente. Membro do Instituto Histórico de Olinda; membro Honorário do Instituto Antropológico, Geográfico e Histórico Pernambucano.

domingo, fevereiro 09, 2025

AINDA O INÍCIO DO SÉCULO XX

AINDA O INÍCIO DO SÉCULO XX Prof. Severino Vicente da Silva – Biu Vicente Quase segunda quinzena deste fevereiro e então já começamos a ter maior clareza do que pretende o “homem amarelo” que governa os EUA desde 20 de janeiro. Temos assistido a realização de algumas de suas promessas de campanha, tais como expulsar imigrantes ilegais do país que governa. Ainda bem que ele veio depois do seu pai, um imigrante ilegal que chegou na “terra da liberdade” na época do vale tudo em Nova York, quando gangs disputavam o poder.i Sorte do Trump pai é que ele chegou quando os ânimos estavam mais calmos, já no início do século XX. Nesta semana, dia 7 de fevereiro, o Brasil recebeu o segundo pacote de ilegais brasileiros que estavam nas terras de Trump, o segundo avião desse tempo. Antes já haviam mandado outros aviões com brasileiros que não alcançaram muito sucesso na terra do Tio Sam. Tio Sam, como sabemos, é um velho senhor que convocava jovens para lutar na guerra de 1914, e nas guerras subsequentes, com dedo em riste, vestido com a bandeira do vermelha e branca, dos EUA, gritando “eu preciso de você”. Deve ter sido uma experiência interessante para ele que, nessa sua intervenção nos interesses europeus, pois começaram a se entender como salvadores do mundo, uma vez que os livros de história começaram a dizer que os estadunidenses começaram venceram a guerra, colocando em segundo plano as muitas batalhas entre os exércitos capitalistas europeus. É notório que os Estados Unidos da América do Norte não tinham, a princípio, interesse em sair do ninho que criaram, destruindo nações indígenas e os bisões, tomando terras do Méxicoii e viver de fazer intervenções militares nos países da América Central que trataram sempre como uma extensão sua, a ponto de criarem um país com terras colombianas, o Panamá. Para as regiões onde não enviaram soldados armados, cuidaram de enviar bíblias, mostrando-se tementes a Deus, que sempre confundiram com a cédula de dólar. Na guerra de 1939, os estadunidenses já estavam mais à vontade em fazer guerra fora de casa, embora viessem a entrar na luta apenas depois da destruição de sua força naval ancorada no Pacífico Sul, pelos japoneses, estes haviam sentido o gosto de possuir colônias, após as experiências no Leste da Rússia e na Coreia, além de excursões sobre a China. O Japão havia vivido isolado desde o século XVII, observando o comportamento dos europeus e dedicando-se a guerras intestinas. Mas ambas nações esbarraram com a Revolução Industrial, iniciada na Europa. O capitalismo industrial carecia de fornecimento de matérias prima para as máquinas, e foi a busca de terras que levou à fomração dos impérios europeus, subjugando os continentes africano, asiático, enquanto o Tio Sam apoderava-se dos governos e compravam governantes nas América Central e do Sul. Após a Guerra, em 1945, o velho Tio Sam descobriu que tinha novo inimigo que vinha crescendo desde 1917. para enfrentá-lo, entre as muitas invecionices, duas ideias tomaram corpo: uma remodelação do capitalismo com o aprofundamento do Estado do Bem Estar Nacional, voltando-se um pouco para a carência dos não ricos, posto em prática Franklin Delano Roosevelt após a crise sistêmica de 1929; e a procura de “traidores”, os estadunidenses que queriam o Estado do Bem Estar Social aplicado ao seu país: foi o empo de “caça a bruxas”, um esporte religioso praticado no século XVII, pelos ingleses e outros europeus, temerosos do poder das mulheresiii. Na década de 1950, o Senador Joseph Mcharty foi grande campeão dessa cruzada contra as ideias inovadoras.iv Na mesma época a população negra dos USA começa a campanha pelos Direitos de cidadãos que a Constituição lhes garantia mas a sociedade de Brancos Anglo Saxões e Protestante (WASP) os negavam. A divisão política entre os EUA e a URSS, geroua Guerra Fria e nos dizia que os demais povos estavam condenados a seguir um outro modelo, enquanto as potência, sobrepujando a Organização das Nações Unidas, criada por eles. E esses modelos de sociedade politica entraram em crise à medida nas décadas de 1970 e seguintes, com uma juventude embalada pelos sonho, desejo e práticas que levassem a um nova forma de organização sociopolítica, na qual os direitos fundamentais: comida, moradia, saúde, educação se tornassem usufruto de todos. Na virada do século e na transição geracional esses sonhos foram sendo substituídos por “antigas lições”, doutrinas que eram ensinadas nos quartéisv e que tinham, têm, como objetivo o enriquecimento de alguns que se apoderam do fruto do trabalho dos demais, como acontecia antes. Era o fim desse “antes” que uma geração punha em dúvida e desejava superar. Entretanto, no século XXI, os sonhos não são a realização “dos homens e de cada homem” como expressou o papa Paulo VI.vi ´século XXI deseja a “inteligência artificial”, que um cientista brasileiro diz “não ser inteligência nem artificial”.vii Neste século estamos assistindo e experimentando práticas que costumávamos ler nos livros de história, assistimos o retorno, ou a emergência vigorosa dos racismos, dos nacionalismos, das intolerâncias e, muitos entendem que basta a criação de leis para dominar o ódio à humanidade, que é o fundamento de todas essas ações. Dom Hélder Câmara nos falava de uma Espiral de Violência, ainda na segunda parte do século XX. São muitos os que acham que a educação escolar seja capaz de barrar essa maré de ódio, mas eles esquecem que o fenômeno dos sistemas escolares são tão recentes quanto a Revolução Industrialviii. Foram as práticas diárias que formaram as gerações anteriores ao método científico de ensino, através de canções, danças, provérbios, conversas informais.ix A qualidade da música que oferecida, não apenas às ‘massas ignorantes’, e que são acompanhadas de versos de baixa qualidade, de linguagem tosca, diversões voltadas apenas para a satisfação dos sentidos na linha inferior à cintura. E é esse método difuso, auxiliado pelas tecnologias, que tem sido o real educador das gerações recentes e, que levam também alguns das gerações anteriores que preferem a escravidão do medo ao risco da liberdade. Nesse mote ocorreram as escolhas eleitorais de muitos países europeus e das Américas. Bolsonaro, Millei e Trump são modelos desse novo tempo que não mais se anuncia, mas que se está vivendo, um tempo de imposição, de censura, morte física e tentativa de assassinato da vida espiritual, não desses citados, mas penso na Nicarágua e outros que, decididamene se preocupa com os outros, desde que os outros seja de sua família. É um modelo de sociedade que nos remete, se não formos muito rigorosos, à metade do século passado, mas que pode ser visto como a vitória do fascismo, aquele que é fruto dos miseráveis e da classe média criados pela guerra 1914-1919. Aquele período foi um tempo de escolhas, e muitos escolheram um mundo mais amigável, enquanto outros escolhiam o melhor momento para realizar o pior dos seus sonhos. Hoje desejam um mundo que seja assim dividido: “nós e o resto do mundo” como está dito em Choque de Civilizações, publicado em 1996, por Samuel Huntington. E Trumam deseja dar forma física à essa separação, no que tem sido seguido pelo seu seguidor argentino, aquele que se aconselha com o seu cachorro. Mas isso não é surpresa quando vemos que há um ditador que conversa com pássaro, que ele diz ser seu antecessor. Talvez estejamos atravessando uma baixa maré, um recuo das ondas civilizatórias, e os profundos movimentos da história são de longa duração. Espero que seja um movimento de duração média, que esses acontecimentos sejam o que sãox, pois como vimos, cada geração tem seu tempo, sua maneira de organizar-se, embora não consiga se livrar daquilo que é construído pelas gerações anteriores e que forma o conteúdo do tempo e da sociedade que não apenas de um grupo geracional. Severino Vicente da Silva, Biu Vicente. Ouro Preto, em Olinda do Salvador do mundo, em 09 de fevereiro de 2025, celebração de Nossa Senhora da Assunção.

domingo, janeiro 19, 2025

O CINEMA NACIONAL NA CONSTRUÇÃO DA HISTÓRIA DO BRASIL

O CINEMA NACIONAL NA CONSTRUÇÃO DA HISTÓRIA DO BRASIL. Prof. Severino Vicente da Silva – Biu Vicente Ficamos em um estado de alegria nos últimos meses ao observar as salas de exibição de filmes, especialmente com a exibição de películas produzidas por brasileiros, no Brasil. Tais filmes escapam do besteirol que vem sendo produzido, sob a desculpa de que são comédias e ensinam o caminho das salas de exibições aos brasileiros. Vez por outro comento que muito do que julgamos ser os Estados Unidos da América do Norte é o que aprendemos nas salas cinematográficas. Aprendemos que a violência é parte da alama dos estadunidenses nos filmes que narram a conquista do ‘velho oeste’, ocorrida após a Guerra de Secessão. Filmes sobre essa guerra, e outras nas quais as tropas ‘americanas’ participaram, ensinaram o quanto eles são corajosos, destemidos na conquista do ‘sonho americano’, sempre com elevada quantidade de sangue, posta em debate nas obras de Tarantino, quase zombando de Ford, Wayne e outros. A geração nascida na Guerra Fria aprofundou o debate sobre essa violência dos ‘policiais do mundo’, desde o Jonny vai à Guerra, que preparou as reflexões do Amargo Regresso, dos sobreviventes da Guerra Vietnamita. As dores da juventude que sonhava com a era de Aquarius foi também refletida nas desventuras de Rambo, um herói perdido em uma cidade que o recusa. Na busca por conquistas os Corações e Mentes dos povos da antiga Conchichina, uma geração de cineastas apresentava criticamente a Beleza Americana, criada com preconceitos contra seus cidadãos e contra o mundo. E nos mostraram Mississípi em Chamas, tornando claro que não aceitavam o comportamento da Klu Klus Kan, e forçaram a sala de jantar da tradicional família WASP que encheu o mundo com o Papai Sabe tudo, mas sempre foi incompetente para tratar as comunidades negras, portoriquenhas de Nova Iorque que emergiam politicamente na continuidade da luta que havia iniciada durante a Guerra Civil. Esse foi um dos caminhos udos pelos estadunidenses para impingir ao hemisfério o Jeito Americano de Ser (American Way of Life), e para tal, tanto como o medo do comunismo, usaram as pernas de Marylin Monroe. Em menor escala, o que é próprio de sociedades espelho, também se buscou passar a história do Brasil em algumas películas que zombaram da cultura caipira, que chanchadas “tornaram” o brasileiro um malandro bossal, um Zé Carioca inventado nos estúdios da Disney. Nem se deu importância à Palma de Ouro alcançada pelo Pagador de Promessa, condenada pelos religiosos e, ainda hoje esquecida nas apresentações dos filmes que agora disputam o prêmio da Academia de Hollywood. A ditadura censora criou mais um debate sobre a cultura brasileira e as chanchadas foram substituídas pelas pornochanchadas que terminaram por iniciar debates sobre problemas que a classe média vinha enfrentando desde os anos quarenta, como mostra o teatro de Nélson Rodrigues, e rompeu o cerco, alcançando o cinema e a nascente televisão, esta que iniciou com dramas mexicanos, e posteriormente veio a debater problemas brasileiros, com o talento de Dias Gomes e a classe média de Janet Claire. Nesse ambiente bokomoko aparece o gênio de Glauber Rocha e seu Santo Guerreiro, que veio acompanhando O Menino e Vento, A Hora e a vez de Augusto Matraga: cinema e literatura descortinavam um novo Brasil, dentro do velho baú das histórias que obscureciam a história do povo brasileiro. Após o final da ditadura teve uma redescoberta do Brasil, apresentando temas da história recente, com filmes pouco vistos, mas que foram organizados em tecnologia VHS, uma coleção da Editora Três. Os cine clubes animados no final da Ditadura, abriram as portas para a geração que “Tinha uma Câmera nas mãos e uma ideia na cabeça”. O Cotidiano começava a ser visto e revisto nas telas. Mas o conceito negativo que os brasileiros tinham de si mesmo, sempre alimentado por uma ‘elite’ que sempre entendeu ser o Brasil sua propriedade, e para assim o manter aprofundou as relações antinacionais com os estadunidenses, enquanto fingiam apoiar o cinema criando uma estatal para acompanhar a produção que passava a debater as relações sociais de Dona Flor e seus dois maridos, além dos dramas internos das famílias de classe média nas lotações dos subúrbios, ou nas orgias da juventude na Babilônia, para além do Trem Pagador e do Rio 40 graus. Entretanto, o brasileiro não frequentava cinemas. Embora tenha aumentado o número de salas de projeção, nos bairros e nas cidades interioranas, eram as “fitas” estrangeiras as ofertadas ao público, Repetia-se: não vou pois é filme nacional, demonstrando o quanto havia penetrado o Complexo Vira-lata, apontado por Nélson Rodrigues, e recentemente destrinchado pelo professor Jessé Souza. Tendo iniciado sua entrada na história europeia pelo Nordeste, parece quase normal que é o cinema pernambucano que apresenta o novo cinema nacional, trazendo o Baile Perfumado, Amarelo Manga, o Som ao Redor, Aquarius, Bacurau, além de realizações do eixo Sul – Sudeste do Pixote, da Cidade de Deus, da Central do Brasil, explodindo agora com o debate a respeito dos desaparecidos durante a recente ditadura civil-militar, na trilha do Ainda Estou Aqui. Esse debate anunciado nos meios de comunicação social - MCS, já começou, mas está interrompido com querelas do tipo vira-lata, que chama atenção para os aspectos negativos e, sempre pronta para diminuir o que de positivo se faz no Brasil, como sempre ensinou a elite em livros que escreve elogiando a si mesma e ocultando o que costuma fazer para negar a existência de 70% que não vão aos cinemas, pois os salários que são pagos não lhes permitem acesso às produções socioculturais; são ‘expulsos’ das escolas pois têm ue trabalhar em dobro para permitir a maior apropriação de capital do planeta; não vão ao cinema pois fecharam as salas de projeções dos bairros, enclausurando-as nas catedrais de consumo que ensinam o idioma estadunidense, mas sem nelas entrar por conta do muro separador, exceto se for para servir a quem deles se serve. Duvido muito que esse debate anunciado ultrapasse os limites de algumas salas e ganhe as ruas, esse afeto não é permitido ao comum dos brasileiros: os que sofreram os abusos econômicos da ditadura através do arrocho salarial, os que foram às escolas enquanto a elite fazia crescer o número de salas de escolas para aulas, mas sem bibliotecas e derrubava os salários dos professores aviltando quem abre caminhos para o futuro, condenando o país ao permanente atraso, na comparação com os jovens de outros povos. A elite desse país não tem compaixão. E se a tivesse? Parece ter alguma, vez que o drama/tragédia da família Paiva promoveu emoções no público que, após assistir a película, convidou amigos para vê-la, dividir o impacto que lhe causou ‘ver’ o sequestro de um ex-deputado, levado às entranhas do Exército Nacional brasileiro e, deve ter saído morto, cujo corpo jamais foi encontrado. Nas Confissões, o bispo de Hipona lembra de como as pessoas se condoíam, nas cenas teatrais dolorosas e trágicas, com ânsia de prazer na reconstituição dos sofrimentos alheios, quase uma compaixão, mas, surpreende-se ao lembrar que essa compaixão é incapaz de levar o espectador a prestar auxílio ao que sofre. “Amamos, portanto, as lágrimas e as dores. Mas todo homem deseja o gozo. Ora, ainda que a ninguém apraza ser desgraçado, apraz-nos contudo ser compadecidos”i E, entretanto, as emoções sentidas verdadeiramente, no teatro, na televisão, no cinema não provoca a metanoia. Sim, dona Eunice esteve sempre lá, para lembrar que o seu marido não lhe foi devolvido, e o cinema brasileiro ainda está aqui, esperando seu Oscar. E nós ainda estamos esperando que os algozes do povo durante a ditadura civil-militar (1964-1985) nos sejam apresentados, julgados por terem torturado um país e destruírem uma nação que estávamos construindo. Precisamos que isso seja feito para que, mais uma vez, construamos a nação brasileira. Serão necessários muitos filmes, com ou sem “seu Oscar”, para recontarmos o que fomos e o que somos. Ouro Preto, Olinda 17-19 de Janeiro de 2025. Este texto é dedicado aos professores Paulo Cunha e Jomard Brito.

sexta-feira, janeiro 10, 2025

A Esperança nunca morre

A Esperança nunca morre. Severino Vicente da Silva Estamos no início do ano fiscal de 2025, é tempo de nos lembrar que o papai noel do xaope que veio do Hemisfério Norte é tão fugaz quanto um floco de neve. As informações oficiais, da gerência do Estado e dos gerentes das empresas privadas, lembram que é tempo de começar a pagar os impostos para estar vivo e ser visto como consumidor, algo mais importante que ser cidadão neste novo tempo, essas são a regra do jogo, lembram os noticiosos da imprensa livre. Rapidamente foram esquecidos os dias de festa religiosas (?) e profanas. Talvez tenha sobrado panetone em algumas casas, um resto de peru foi para a geladeira, algumas garrafas de vinho ficam guardadas para a próxima reunião consumidora nas e das famílias. Também foram consumidos, alguns prédios e moradores, em regiões nas quais vive-se em guerra continuadamente. O que ocorre também em milhares de favelas nos países das Américas, no Oriente que tem a sabedoria do Dalai Lama, e na Europa, segundo ela, a mãe de todas as civilizações. Dizer essas palavras, esses pensamentos, não é proclamação da desesperança, ao contrário, uma vez que, ao tomarmos consciência dos problemas que enfrentamos, estamos a manter a esperança de que tudo possa ser modificado para melhor. O descrito acima é a expressão pública do fascismo que tem crescido neste mundo industrial e nossa tarefa é vencê-lo. É provável que alguns dirão que estão cansados dessa tarefa contra os deuses que invejam a liberdade dos homens e mulheres que deles não necessitam para viver, vez que sua alegria é saber-se potente diante da maldade que parece ter-se instalado ao nosso redor recentemente. Sabemos que não, pois se o mal parece crescer, cresce a nossa capacidade de entendê-lo, conhecê-lo e vencê-lo. E em cada parte do globo, os diversos grupos humanos encontraram modos e práticas diversas nessa luta contra o Narciso, o Midas, a Medusa, as Fúrias presentes em todos os seres inteligentes. Sim, os malvados são inteligentes, às vezes mais que os comprometidos com a verdade, com a felicidade comum, e eles por se recusarem por limites aos seus desígnios, cumprem a sua tarefa de promover a dor, a fome, a destruição daqueles que lembram o quanto eles dependem da dor dos outros para sentirem-se felizes. Assim acontece na guerra civil não declarada no Brasil, nos bombardeios sobre os palestino, a disputa pelo poder na Síria, na guerra invisível no Yemen, nas destruições que as mudanças climáticas, provoca pelos fascistas em sua gana de aumentar seus ganhos pessoais, contudo, nelas estão homens e mulheres que, no sofrimento, levantam-se contra o Leviatã, pois sua esperança e que o mal será vencido, ainda que o fascismo apresente-se com caras simpáticas e risonhas, nos jornais televisivos, apresentando os sucessos da maldade, fortalecendo a a divisão da humanidade, onde se colocam como superiores, porque se apropriaram, com mais inteligência, dos bens gerados ao longo da história. Tomaram para si o que é de todos. Vivendo com medo de perder o que não criaram, juntam-se, em reuniões exclusives e protegida com armas mortais. O vigésimo quinto ano do século XXI não é uma “ano fiscal”, como falam os que vivem como Campos, Lira, Trump, Maduro, Ortega e outros que contam a vida em centavos de dólares, 2025 é o Ano no qual, homens e mulheres, que continuaram a cultivar a Esperança de que seremos plenos vida. Severino Vicente da Silva – Biu Vicente. Em 10 de janeiro, dia de Santa Margarida Maria de Alacoque em Ouro Preto, Olinda, Pernambuco

domingo, dezembro 22, 2024

FELIZ NATAL

FELIZ NATAL – DESEJO DE UM NOVO ANO FELIZ. Prof. Severino Vicente da Silva – Biu Vicente Os dias passam, levam bocados nossos; alguns, nós vivemos, outros ficaram em um canto da sala da vida sem serem percebidos. Como aqueles que acontecem nas casas dos vizinhos. Sempre as paredes nos impedem de vê-los e deles participarmos. O mesmo ocorre em relação à rua que está em frente a casa onde estou. A quantidade de sonhos desejados, momentos tristes ou alegres foram vividos e nada impede que a vida que não nos ocorre, ocorra pela ação de pessoas que não sabemos de onde vêm nem para onde vão. Claro está que estou pensando em Eleonor Bridge, mas quando comecei a digitar os Beatles estavam tão distante de minha mente, embora a pergunta “de onde eles vêm?” seja parte de bela poesia e melodia por eles criadas. De onde vem tanta gente solitária na imensa multidão que nos faz parecer sermos todos iguais. Bom que nos sabemos diferentes, com diferentes projetos pessoais, muitas vezes divididos com um grupo maior, a família, amigos que se encontram nas igrejas, outros nos bares. Teilhard de Chardin menciona uma Missa sobre o mundo, um ritual que a todos atrai para si, gerando um novo mundo, que é parido dolorosamente. Os hominídeos são paridos em dores sentidas por suas fêmeas, diferente dos cetáceos e mesmo outros mamíferos. Parece que nascer humano não fazia parte do projeto de Javé. Parir um ser humano é quase uma maldição que é superada pelo aprofundamento do aprofundamento posterior das relações pessoais entre a parturiente e o ser que, por não suportar mais o casulo que o envolve e protege, arrisca levar à morte aquela que estar a lhe dar a vida. Nos últimos séculos a maldição da morte da parturiente está sendo superada fisicamente, embora a dor e o amor que vem do parto acompanhem os viventes até seus últimos dias. As dores que acompanham o nascimento podem ser a companhia ao longo da experiência de ser vivo. Nascimento e morte caminham junto com o indivíduo. A morte individual ocorre socialmente nas guerras que fazem parte da história dos homens, Algumas guerras ganharam fama, caso daquela ocorrida entre Troia e a Grécia em formação; a dos Cem Anos, a dos Camponeses, a da Independência da Argélia, aquelas que fizeram a formação das Américas, as ditas mundiais que ocorreram no século XX, das quais foi dito que poriam fim às guerras e o mundo ficaria em paz. Essa lista, incompleta, refere-se aod homens e mulheres que viveram e vivem na parte ocidental do globo terrestre, aquelas que ocorreram e continuam ocorrendo na parte mais oriental, pouco delas os que vivem desse lado do globo fazem ideia. Na verdade, creio que a maior parte dos homens e mulheres que vivem na terra atualmente saibam dos acontecimentos para além das suas aldeias, bairros, cidades ou países. O mundo só não é maior do que a ignorância sobre ele. Essa não ciência é uma das causas do conservadorismo, pois que grande parte dos homens e mulheres acreditam que o tempo passado foi melhor do que o atual, com guerras por pedaços de terras, destruição de vidas humanas para preservar o poder de alguns, e podemos citar expulsão dos sobreviventes indígenas de suas terras, na Amazônia e em outras partes do Brasil, uma guerra patrocinada por pessoas que já dominam muitos quilômetros quadrados de terra; as guerras patrocinadas pelos Estados Unidos da América do Norte e da Rússia (Afeganistão, Paquistão, Israel que destrói a Palestina; a Guerra do Iêmen, as guerras em andamento no interior do Continente Africano. Etc.), as guerras dos traficantes de drogas, armas e seres humanos para o trabalho escravo, prostituição, etc. A ignorância é que leva as pessoas crerem que este é uma característica desse tempo que vivemos, uma ignorância que faz esquecer a destruição de muitos povos ocorrida na formação das atuais nações. Essas são as dores que vivemos hoje, dores que podem fazer surgir novos modos de organizações sociais, novas modalidades de vida, trazidas pelas pesquisas por novas armas e instrumentos de destruição. O novo pode surgir desses sofrimentos, assim como se estivéssemos realizando um grande parto. A vida vem com dores do parto, momento de vida tão próximo da morte. Essa maldição que, na explicação fornecida pela tradição judaico-cristã ocidental, nos acompanha desde o início da aventura humana. Essa explicação também serve para justificar as guerras, como o fizeram e fazem os ‘senhores da guerra’, os shoguns, os usos dos heróis nacionais. Nesta semana mantemos a lembrança de um parto, o parto que ter oco,rrido na região do permanente conflito entre hebreus, filisteus, cananeus, judeus, palestinos. A tradição conta que logo após o parto do qual nasceu Jesus, ocorreu o massacre de uma geração, as crianças que Herodes mandou matar para ter certeza que também estava matando a Jesus, a quem, diziam alguns, cabia a coroa de um reino. O nascimento dessa criança foi, tem sido, o consolo de homens e mulheres que vivem sob domínio de gente como Herodes, um serviçal do poder do Império Romano, um império que se formou a partir de violências e se manteve em guerra permanente contra todos os seus vizinhos. O Menino que nasce é a promessa de que virá um mundo de paz, um tempo em que os sábios se curvam diante uma criança, uma promessa de vida. Uma vida sem a solidão que leva às guerras; uma vida guiada pela esperança de que as guerras não sejam mais necessárias para a manutenção da vida. Começará um novo mundo, sem a maldição das guerras e das dores de parto. Este é meu desejo de Natal e Novo Ano para todos. Severino Vicente da Silva. 22 de dezembro de 2024, a caminho, na direção de um mundo sem dores nem guerras.