sábado, abril 04, 2009

Nãoe esquecer e lembrar a liberdade

Esta semana, quando assistimos tantas medidas sem medidas, tomadas pelo Congresso Nacional, o que faz alguns pensarem que é melhor viver sem ele, é tempo de recordar que, quarenta e cinco anos atrás, um grupo de brasileiros, conseguiu o apoio da maioria dos demais brasileiros e deram, início a um tempo sem congresso, ou com um Congresso que teve suas portas arrombadas e foi decapitado. Até mesmo alguns que foram notáveis por sua vida parlamentar, uniram-se a um grupo de funcionários públicos fardados e com a permissão de utilizar armas, e realizaram o golpe de 1964, dando início a uma ditadura que se prolongou até 1985. É lamentável que nosso congresso esteja atualmente controlado por alguns elementos que foram formados pela ditadura, que aprenderam a esconder as informações e as suas ações dos demais brasileiros, mas é melhor um congresso ruim que a gente possa criticar que congresso nenhum. Apesar de Sarney e seus filhotes, devemos defender o congresso, ao mesmo tempo em que devemos continuar a lutar para que ele melhore e se torne um modelo para os demais cidadãos.

Como muitos brasileiros, fui adolescente na ditadura, e sei como era difícil expressar pensamentos e até mesmo andar na rua com certos livros. Vi como parlamentares sérios eram respeitados e aclamados por sua coragem e, graças a eles, os ditadores e seus asseclas mataram menos do que desejaram. A coragem de Márcio Moreira Alves condenando a invasão da Universidade de Brasília, não deveria ser lembrada, como fez um jornal, a responsável pelo Ato Institucional de número 5, responsáveis foram os que silenciaram diante da prepotência, Márcio Moreira Alves teve a ousadia de chamar a nossa atenção, pois ele sempre soube que não foi eleito deputado para ficar discutindo mordomias para si e seus pares, como fazem certos exemplares do tipo de um ex-presidente da Câmara, lamentavelmente elogiado pelo presidente Lula. Foram muitos os bons deputados cassados pelos ditadores. Mas é necessário que continuemos a construir essa democracia. Como lembrou recentemente a Miriam Leitão, mais da metade da atual população brasileira nasceu após o golpe, mais de quarenta por cento nasceu depois do fim do governo do último ditador e, esses mais jovens devem aprender de gente como a Miriam Leitão, que foi presa pelo estado ditatorial brasileiro e, como eu, não pediu nenhuma indenização por ter cumprido sua função cidadã.
Lembrar que abril de 1964 teve início um difícil página da história brasileira é obrigação nossa, é nossa obrigação lembrar aos nossos jovens que muitos brasileiros lutaram para retomarmos o Estado de Direito, o Estado de Liberdade, que nesses últimos vinte anos estamos construindo uma sociedade democrática, (é certo que temos sofrido algumas decepções, mas isso não deve nos vencer) e que se este presente se deve ao que foi feito, o futuro será o que eles também assumirem de fazer.

Ah! neste sábado, dia 4 de abril, completo quarenta anos na profissão de professor.

3 comentários:

Zélia Gominho disse...

Parabéns, professor, pelos 40 anos de muitas histórias que já viveu e que já contou; e que Deus o ilumine para sempre mais.
Quanto às liberdades... Sinto que as novas gerações tem pouca ou quase nenhuma noção do quanto que custou usufruir dos direitos que temos hoje. A democracia é uma conquista cotidiana; e mais do que isso é um processo lento de aprendizagem, de mudança de atitude. Ser democrata é mais do que acatar o direito de maioria: é considerar, pelo menos tolerar, a opinião divergente. A convivência, a difícil convivência na diversidade, ainda é um passo a ser dado com mais firmeza. 1964, 1968... Os jovens dessa época vinham com o entusiasmo democrático renascido em 1945,e o Brasil foi novamente obrigado a frear o dinamismo político vivido na época. Essas são datas que os jovens historiadores, em sua maioria, nascidos no tempo da liberdade vem se interessando em desvelar. Ainda é tempo de aprender.

jeck disse...

Aprender e reviver o passado, ou melhor como disse um de nossos poetas conterrãneo ''modernizar o passado''. parabens prof Biu pelos 40 anos educando e parabens pela bela postagem. realmente são poucos os que atentam p/ os fatos ocorridos ha mais de 30 anos. não sabem o que perdem. obs:tenho 19 anos!

Fátima Marinho disse...

Parabéns Biu Vicente,

pela vida dedicada ao ensino da História e por fazê-la tão bem.

Beijos e FELIZ PÁSCOA.

Fátima Marinho.