sexta-feira, junho 05, 2009

´Águas do Atlântico e Águas de Algodões

Conversando, cada um de nós encontra novas idéias; ouvindo o dito e vendo o não dito encontramos novas maneiras de inventar e compreender o mundo.

Hoje, pela televisão ouvi o atual presidente do Brasil falar em “alternância do poder”, o que levará os analistas políticos amanhã começarem a falar de que a dona Dilma não está mais na corrida presidencial. Isso fará com que a brincadeira que fizemos ontem, um grupo de amigos, que comparávamos a Argentina e o Brasil, esteja plenamente superada. Falávamos que a Argentina teve sua Isabelita, morrendo por seu povo como a “mãe dos descamisados” e o Brasil, mantendo a tradição imitativa que nos foi imputada pelos argentinos, eles que imitam franceses e ingleses, teria a dona Dilma, como a nostra mater pactis. Mas, como dizia Juquinha, a gente evita.

Talvez essa nossa brincadeira tivesse ocorrido pela semelhança entre ambas, ao menos a semelhança médica entre ambas; talvez tenha sido motivada pela avidez que os brasileiros temos de querer dominar tudo, como o nosso Ministro da Defesa. Vimos como ele, após dominar a constituição, quiz dominar os oceanos e os ares, nos informando que já teriam encontrado restos do avião francês que desapareceu na rota Rio-Paris, com vôo iniciado na Argentina. O tempo e a realidade não foram amigos do Ministro da Defesa, agora indefensável. Ele confundiu “destroços” de um desastre com lixo jogado ao mar.

Mas isso serviu para entendermos melhor como funciona a preocupação da segurança no Brasil. Quando centenas de famílias brasileiras foram atingidas por enchentes (transbordamento de rios) em cidades do Piauí, Maranhão e Ceará não pudemos perceber nenhuma autoridade federal atuando na defesa desses milhares de brasileiros. Apenas depois de dois meses é que o governo federal liberou um helicóptero para atender as vítimas. Vão dizer que é implicância minha, mas o Modificador da Constituição estava na África e apareceu como radiante e fagueiro para nos informar que o avião “não explodiu”, enquanto mostrava como prova uma faixa de óleo de cinco quilômetros de extensão. Em seguida, pego em tão grande mentira, ou ao menos por tornar pública notícia não confirmada, o Ministro da Defesa, sem defesa, desapareceu como o airbus da air france. Alguém mandou o gaúcho calar a boca.

Nem vou mencionar que o atendimento dos desabrigados pelas chuvas no Norte e Nordeste já nem mais é anunciado em nenhuma das redes de informações que atuam no país, as televisões. Os nordestinos desabrigados, embora eleitores,também desapareceram do noticiário. E ainda temos que nos desculpar ao governo francês que não nos acusa, mas diz que é melhor checar as informações antes de torná-las pública.

Ainda bem que a seleção de Dunga está sendo preparada para um confronto com a seleção do Uruguai em um lugar que a seleção brasileira não vence a três décadas, nos dizem os jornalistas, sem nos informar o número de jogos. Coisas de jornalismo esportivo. Acirramos os ânimos guerreiros e depois iremos lamentar os mortos na batalha. Isso nos faz esquecer que o DIEESE, entidade de pesquisa criada pelos sindicatos em época que o atual presidente do Brasil era presidente de sindicato, nos informa que o salário mínimo deveria ser de R$ 2.400.00 para atender a exigência constitucional. O salário mínimo é de algo parecido com 1/6 do que o DIEESE diz. Mas isso não importa, continuaremos com as bolsas família e os bolsões de miséria..

Por falar nisso, onde anda Nelson Jobim, que não é o Nelson de Trafalgar, nem o Jobim do Cais.

2 comentários:

Anônimo disse...

Pois é, mestre Biu, até em casos sérios como um acidente de tamanhas proporções, as nossas autoridades ditas competentes, não agem com o respeito e a seriedade que a situação requer e ficam espalhando boatos, tal e qual moleques de rua.
Walter Freitas

pindorama disse...

Geovanni Cabral
Realmente uma excelente analise deste momento em que estamos sendo bombardeados por manchetes, aparatos policiais para poder encontrar destroços do avião. Uma molilização por um certo ângulo até necessária, pois são familias atordoadas com seus entes queridos. Mas deixa de lado as pessoas que estão sofrendo com as enchetes, os desabrigados, os que foram penalizados com vida e suas casas no Piauí. É o país sempre caminha para esse atraso o que é mais importante é algo que envolve autoridades internacionais, o nosso povo deixado de lado. É isso.