segunda-feira, julho 28, 2008

VANILDO DE POMBOS, poeta do forró


"Nessa sua maldade irás envelhecer, sem conseguir vencer minha simplicidade, quem fraqueja é covarde, a inveja é do cão, quem nasce para ser forte trás o dote na mão. Pode falar de mim que não estou nem aí".

Vitô e Darcy eram dois jovens quando se conheceram no Paraná, embora houvessem passado
a maior parte de suas vidas no mesmo município de Vitória de Santo Antão. Apaixonaram-se, casaram-se e tiveram muitos filhos, a maior parte deles nascido em Pernambuco, no mesmo município de Vitória de Santo Antão, para onde regressaram fugindo da exploração. Mas agora o lugar já era parte do município de Pombos, criado em 1964. O primogênito, Vanildo, nasceu paranaense em 1960. Ainda no Paraná ouvia seu pai tocando e fazendo festa na sala da casa, recebendo os colegas que trabalhavam na mesma roça. Em Pernambuco, o menino fugia do roçado para brincar de cantor, cantando para capins e flores silvestres. Depois quis aprender tocar sanfona, no instrumento de seu Vitô, que proibia, pois não queria que seu menino ficasse enganado com essas coisas de poesia e cantoria. Dona Darcy deixava o menino tocar escondido do pai.

Embora fosse amante da natureza, não era da sua natureza o trabalho de agricultor. Vanildo veio para o Recife, dormiu nas ruas, depois protegeu-se sob o teto do futuro Centro de Criatividade Cultural, aprendeu a fazer música enquanto guardava os instrumentos dos artistas. Plantou-se na porta da Rádio Jornal do Comércio para falar com o “Coroné Caruá”. Um dia foi atendido, cantou e conseguiu uma pontinha em um comercial. Seus primeiros dinheiros foram usados para comprar presentes para a família que se encantou com um televisor preto branco, portátil à base de pilha. Ainda hoje está guardado. Depois foi fazendo crescer o sonho de um disco.

Criador de sua vida, Vanildo foi para o sertão e manteve um programa de rádio. Voltou para o Agreste, criou o personagem GEREBA, inspirado em seu primeiro padrinho artístico, o “Coroné Caruá” e manteve um programa radiofônico em Vitória de Santo Antonio. Como cantor e compositor passou a ser Vanildo de Pombos, deixando claro seu carinho pelo lugar de seus avós, seus pais e seu.

O sonho de Vanildo de Pombos o levou à ao Rio de Janeiro, São Paulo, França, Bélgica, Alemanha, Portugal, e Nova Iorque (Festival Lincoln Center -2003). Lá visitou e cantou no Central Park, no monumento dedicado a John Lennon, com quem se identificava na luta da causa pela paz e no desenvolvimento de uma espiritualidade universal.

Essa espiritualidade parece que o auxiliava a prever certos acontecimentos de sua vida. Uma vez ele sonhou com uma equipe da Tv Globo indo atrás de seu carro. Isso aconteceu quando ele cantou os intervalos dos jogos da copa que teve o pernambucano Rivaldo como destaque.

Vanildo de Pombos com Genilval Lacerda, Terezinha do Acordeon, Santana, e Dominguinhos. Neste ano foi homenageado no São João de Gravatá. Preocupado com a violência crescente em nossas cidades, Vanildo de Pombos estava preparando um festival para promover a paz no Agreste. No sábado, dia 26 de julho, Vanildo de Pombos foi assassinado quando saia de sua casa, em companhia de Cláudia e Maria Clara sua esposa e filha. Correu para longe de seus familiares para protegê-los.

Neste domingo, mais de dez mil pessoas acompanharam o poeta de Dona Darcy, seu Vitô para sua última morada, na sua cidade.

Vanildo de Pombos gravou quatro discos e compôs mais de trezentas músicas. Eu conheci, estive em sua casa com sua família e ele também esteve na minha casa. Estamos trabalhando na construção de sua biografia, a biografia de um poeta do forró.

2 comentários:

valéria disse...

bonita homenagem pai.

Saulo disse...

Oi Prof Dr Biu Vicente é um prazer está participando desse trbalho tão rico e crítico. Meu nome é saulo sou professor da rede estadual e municipal de Paulista. entretanto, ainda me sinto deficiente, em relação ao conhecimento histórico do nosso estado. Inclusive da nossa História que continua viva como é o caso de Vanildo de Pombos, pois, por esse pequeno resumo de sua vida, pude perceber o seu valor histórico e sua contribuição positiva na nossa formação cultural. Por isso, fico muito feliz em ter acesso e participar desse espaço.

Um Abraço.