sexta-feira, julho 10, 2009

Gente comum, o conselho de étca do curral e os olhos verdes

A semana passou e eu fiquei calado em meu canto para não comentar coisas da vida, dessa vida comum que vivemos e que fazemos o possível para não encontrar coisas da política, coisas do poder. Até mesmo li jornais e fui a consultórios médicos para verificar que tenho saúde aprovada por eles. Só não consegui escapar das manchetes de jornais que conspiram contra alguns anormais, ou seja, aqueles que não podem ser julgados como pessoas normais. Soubemos que não há possibilidade de uma “pessoa normal” vir a ser eleita para qualquer cargo político. Definitivamente a política parece ser algo que deva passar bem distante de simples operários. Deve ser por isso que o atual presidente do Senado, após cinco meses de sua posse, não teve condições de formar o Conselho de Ética daquela casa legislativa. Afinal, como o Senado estar prenhe de vestais não tem carência de um colegiado que venha a lembrar os seus membros dessas coisas que preocupam “as pessoas comuns”. Gente comum, um funcionário público comum, poderia até perder o emprego se esquecesse de informar que é possuidor de um castelo digno de ser invejado pelo príncipe que acordou a Branca de Neve, mas não um deputado que comprou segurança a si mesmo e pagou com o dinheiro das “pessoas normais, comuns”. Gente comum, como aquele ricaço americano que enganou uma pirâmide de gente comum com uma pirâmide financeira foi preso, algemado, julgado, condenado a duas vidas de prisão. Gente comum é algemada, mas os não comuns, esses “anormais” que são postos acima da lei, dificilmente serão tratados como gente comum.

Há uma complacência com os costumes dessaspessoas “não comuns”, há uma tolerância para com seus hábitos, e isso está ficando tão visível que The Economist já está entendendo que o presidente Luiz Inácio faz gestos tolerantes sempre que é de seu interesse, pouco se importando com os resultados futuros de sua leniência, seu apego à defesa dos amigos, em prejuízo da moral. Em defesa da “governabilidade” vemos a vitória da “lei de Gerson”, aquela que diz ser o certo “tirar vantagem de tudo”, especialmente da falta de vontade de alguns pensarem e agirem. O Congresso Nacional brasileiro está apostando na inércia, na incapacidade de agir, mesmo de re-agir dos cidadãos. Só isso explica que os deputados tenham aprovado uma lei eleitoral que permite que condenados na justiça possam ser candidatos a cargos eletivos e, se eleitos, tornarem-se possuidores de foro especial, escapando da justiça comum, essa que cuida das “pessoas comuns”.

Se o presidente da República se esforçasse um pouco para dizer que a prática de caixa dois é um erro; se o presidente não viesse defender salários e vantagens astronômicas para os deputados enquanto define que o salário mínimo não pode mais que R$530.00m no p´roximo anos. O DIEESE, criado nos tempo de Lula sindicalista, quando ainda estava próximo do se chama “homem comum”, diz que o salário mínimo para estar de acordo com o preceito constitucional deveria ser mais que R$2.200.00. Se o presidente usasse um pouco de sua capacidade de convencimento para indicar algumas práticas mais éticas, se não fosse tão sôfrego na defesa dos seus amigos pegos em erros, ele completaria com louvor a parte do seu governo que protege os que vivem mais miseravelmente neste país. Hoje se cria, se fortalece, a idéia de que a ética tem pouca importância, que o respeito às normas podem ser postas em lugar secundário, desde que se garanta a “governabilidade” e um ministro (José Múcio) dar a um governador (Eduardo Campos) o seu curral eleitoral. Esta vitória de José Múcio foi maior que a vitória de Jarbas Vasconcelos sobre Miguel Arraes, o avó do governador dos olhos verdes.

Vai ver que Lula pode ter alguma razão nessas coisas de cor dos olhos.

Um comentário:

comme des habitudes disse...

eles não sao comuns. tem acessores que sao capazes de agredir no braço a população e viva a democracia brasileira!