segunda-feira, julho 20, 2009

Quarenta anos após a alunisagem

Pensei que deveria escrever um pouco a respeito da chegada do homem à lua, ou lembrar que naqueles idos eu julgava que o dinheiro gasto naquele investimento seria suficiente para solver o problema de fome, acabar com a miséria neste mundo. Assim, aquele empreendimento não incendiou a minha imaginação tanto quanto a minha indignação. Hoje sei que governantes e seus povos aceitam a manutenção da pobreza em troca de migalhas. Libertar a humanidade da fome apenas ocorrerá quando os humanos decidirem libertar-se das mesquinharias que os fazem acumular milhões. Talvez por isso tenha sido dito que “pobres sempre tereis”, pois é assim que queremos: sempre teremos pobres para fazer discursos, para distribuir esmolas, fazermo-nos parecer bons.

O homem chegou à lua no final dos anos sessenta após um esforço de uma geração, um esforço político, econômico, social. A mesma década que os foguetes produzidos pelos homens os puseram no solo lunar, também viu o esgarçamento de valores sólidos, mantenedores de ordens superadas, simultaneamente à conquista dos direitos sociais da segunda e terceira geração. Faz quarenta e poucos anos que mataram os Kennedys: o que liderou o esforço escolar-científico para a conquista da lua, ao mesmo tempo em que escalava a guerra do Vietnan e, internamente, em seu país assumia a luta dos direitos civis, acompanhando o pastor Martin Luther King, também assassinado naquela década; e o outro Kennedy, que junto com o irmão imaginou a invasão malsucedida de Cuba, e que também foi assassinado, também naquela década. Foi, a sessenta dos século XX, uma década de muitas mortes, mas também os anos sessenta foram muito vivos, terminando com o festival de woodstock. A chegada à Lua deve ter alguma relação com o amor livre.

Interessante que Xiran Xue, que sofreu, quando criança, nos anos sessenta, os rigores da Revolução Cultural Chinesa, imposta por Mao-Tsé-Tung, nos diz, nas páginas amarelas da Veja, que essa idéia “liberdade”, “há trinta anos esse conceito não existia na China. Os atuais governantes não foram educados à luz desse conceito. O mesmo se pode dizer dos professores.” Pois esse conceito – liberdade – também, junto com outros, ainda é recente aqui em nossa pátria, também. Para muitos essa palavra, que significa também viver o ato de escolher, tem sido entendida apenas como “possibilidade de consumir” dentro dos limites peritidos por uma pequena quantia monetária que lhe é dada. Pode consumir, mas não de mudar a qualidade de sua vida, a qualidade de suas opções.

O passeio do Armstrong foi um passo pequeno para o homem e ele indica que ainda falta muito para o "grande passo da humanidade" que pode ser, também, ter um maior conhecimento do espaço sideral, mas é principalmente afastar a fome, a miséria e a desolação em vive mais da metade da população da terra, sem condições de exercer plenamente a sua liberdade. As condições materiais já estão dadas, só falta parar de pensar como Judas. Enquanto pensarmos como ele continuaremos a ouvir: “pobres sempre os tereis”, mas devemos saber que não é por vontade de nenhuma força exterior aos que, como Judas, sempre acham que o dinheiro pode ser “gasto” com os pobres. Judas sabia disso, e os seus seguidores também.

Um comentário:

comme des habitudes disse...

é. o homem foi a lua, a NASA consumiu milhoes e a Africa e o terceiro mundo não tem o que comer.

boa reflexão.