segunda-feira, novembro 17, 2008

A terceirizaçaõ da memória

Como está guardada a nossa memória, a memória da cidade do Recife, dos demais municípios de Pernambuco, verdadeiramente, de que maneira estão sendo guardados os papéis oficiais dos governos do Leão do Norte? Essas perguntas, aparentemente bobas nos chegam quando sabemos que, vem ocorrendo uma gradativa perda de valor, no organograma dos governos de Pernambuco, do Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano. Uma política séria de arquivo, colocaria o arquivo público como um órgão diretamente ligado à Casa Civil do Estado, dada a importância daquele que tem a função de classificar, guardar e proteger os atos governamentais que interessam a todos os cidadãos. Mas o que temos acompanhado de uma desvalorização desse importante segmento da administração dos bens, dos valores, da memória do povo pernambucano.

A sociedade fica silenciosa diante da política que transformou o Arquivo Público de uma Diretoria, em 1997, para uma coordenação, submetida à Fundação de Cultura. Estão silenciosos os historiadores diante da diminuição do quadro de funcionários que trabalham ali: eram 84 em 1997, hoje não chegam a 20. Pouco interessa os discursos e campanhas publicitárias para nos informar que estão fazendo (quase sempre dizem que está feito o que ainda está se pensando em fazer) enquanto os documentos do Estado de Pernambuco estão, em grande parte, em prédio alugado na Rua Imperial, em condições precárias. Os funcionários nada podem dizer pois vivemos em uma sociedade na qual se segue, desde os menores aos maiores espaços físicos e sociais, a Lei do Silêncio, Silenciam os intelectuais (?) que escutam um Secretário de Cultura afirmar que arquivo é “coisa de elite”, por temor de não mais receber favores e benesses do poder. Talvez Cancline esteja certo ao dizer que no Brasil trocou-se o poder da escravidão pelo poder do favor. É evidente que o Diretor do Arquivo, seja ele quem for neste sistema patrimonialista, não vai contestar que lhe concedeu a sinecura.

O estabelecimento de uma política séria para os arquivos públicos deve ser um dos motes da chamada Ciência da Informação, das associações de História e historiadores, das associações dos arquivistas, das associações dos bibliotecários, de todos os cidadãos, pois todos nós somos beneficiários da existência de arquivos organizados e prontos para atender os cidadãos que os buscam. Mas, como buscar informações sobre o passado do Recife se a capital do Estado não tem um arquivo para guardar os projetos, realizações dos muitos prefeitos que tivemos e teremos? E se a situação é esta para a capital do Estado, imagine-se o que ocorre nos municípios? Às vezes temos a impressão que os atuais governantes não estão interessados em que nós, os cidadãos, saibamos o que fazem ou fizeram. Vai ser muito difícil aos historiadores do futuro quando forem pesquisar o que ocorreu em nosso Leão do Norte na segunda metade do século XX. Não encontrarão material. Terão que buscar essa informação, e pagar por ela, para alguma empresa que foi contrata, por milhares de reais, para cuidar de nossa memória. Enquanto isso, o Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano está sem espaço adequado para a guarda dos documentos e atendimento público não possui suprimento para atender as suas necessidades básicas (cordão, papel, caixa, etc.), não possui verba para a manutenção dos documentos e, pasmem, o administrador que quiser contratar um arquivista não vai poder fazê-lo, pois um “gênio” extinguiu esta função no serviço público. Enquanto isso o que se tem de lugares para ASPONE!!!!!!

Porque terceirizar, entregar a empresas particulares a memória da administração do Leão do Norte?

5 comentários:

Adamastor Epiniceliano disse...

prof. biu, adorei essa sua postagem acerca do descaso que ocorre em nossos arquivos públicos, parabéns pelo alerta que o senhor faz aqui neste espaço que deveria ser bem mais divulgado e apreciado pelos estudantes, ciadadãos e outros grupos.aproveito aqui para pedir que o senhor conheça o trabalho do gustavo tiné através deste link http://www.palcomp3.com.br/gustavotine
espero que goste, obrigado e boa semana.

Alexandre L'Omi L'Odò disse...
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Alexandre L'Omi L'Odò disse...

"Nesse período, o período do Império português, a principal contribuição do africano foi principalmente a produção de riqueza, seja na lavoura da cana, seja na coleta de metais e pedras preciosas."

BOM, NA VERDADE, SÓ NÃO CONCORDO COM ESTA COLOCAçÃO, ACIMA CITADA.
O NEGRO NÃO PRODUZIOU RIQUEZAS NO BRASIL, ELE FUNDOU O BRASIL, NA FORMA MAIS POLITICO-SOCIAL E CULTURAL, IDEOLÓGICO E RELIGIOSA POSSÍVEL.
MAS O TEXTO TÁ ODARA.

AXÉ PROFESSOR, FOI UM IMENSO PRAZER ESTAR COM O SENHOR NAQUELE LUGAR TÃO LINDO, DISCUTINDO COISAS NOSSAS.

L'OMI.

Alexandre L'Omi L'Odò disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Angela disse...

Biu,

Emociona-me o comprimisso que voce tem com a questão do descaso aos arquivos institucionais.

Reconforta ouvir de quando em vez um voz neste silêncio.

Bjs.

AngelaN