sábado, outubro 28, 2006

Liberdade de expressão

Recebi esta carta e escrevei oo texto que vem após ela. Não sei se será publicado.


Caro prof. Severino,
Sou repórter do caderno Aliás, que sai aos domingos no jornal O Estado de S. Paulo. Temos uma seção chamada “Fórum”, em que propomos uma pergunta polêmica para os leitores e, paralelamente, publicamos a opinião de dois especialistas no assunto da semana, um contrário e um favorável ao tema. Tendo em vista a prisão dos três rapazes que distribuíam panfletos contrários às cotas para negros nas universidades, o tema desta semana é “Distribuir panfletos com conteúdo racista é manifestar a liberdade de expressão?”. Eu gostaria de saber se o senhor gostaria de participar, defendendo o “sim” como resposta. Obviamente, a idéia não é defender o racismo, mas o direito que as pessoas têm de manifestar o que pensam. Caso o senhor aceite, há duas formas de sua participação acontecer: ou o senhor escreve um texto de 1.000 caracteres (com espaço) e me manda até as 18h de amanhã (sexta-feira) ou me concede uma pequena entrevista e eu mesma escrevo. De qualquer maneira, o texto sai assinado pelo senhor. Gostaria de saber o quanto antes se o senhor tem interesse.
Por favor, confirme o recebimento deste email.
Muito obrigada pela ajuda,
Flávia Tavares



O texto que escrevi é o seguinte:
Distribuir panfletos com conteúdo racista é manifestar a liberdade de expressão?[1]

Sim, embora isso possa parecer um uso inadequado. A liberdade de expressar-se tem sido uma conquista da sociedade moderna, digo tem sido, pois sempre que alguém publica uma idéia que diverge do comum, logo aparecem os sacerdotes da verdade única dispostos a inibir o ato da liberdade por sentirem-se proprietários da verdade. Os mais diferentes sacerdócios – religiosos ou seculares – foram responsáveis pelas ações que inibiram e inibem o ato livre de pensar e buscar o debate. Os sacerdotes das raças, pouco importa qual a sua epiderme, esses que procuram entender o mundo e os homens pelas cores, esses que entendem que a verdade está com a cor de sua pele, esses são inimigos da liberdade humana, do gênero humano, ainda que seus discursos pareçam se proteção deste ou daquele grupo. Precisam de proteção aqueles a quem os poderosos não permitem que desenvolvam livremente a sua humanidade. Deixemos o debate fazer surgir o melhor caminho enquanto caminhamos em liberdade.
[1] Escrito para a coluna Aliás do O Estado de São Paulo, a convite de Flávia Carolina Freitas Tavares - 26/10/2006

Um comentário:

Mariana Borges disse...

A curiosidade não deixa calar: e aí, foi publicado?