segunda-feira, janeiro 14, 2008

Algumas idéias de Kant - na visão de Manassés Honório

Este é mais um artigo realizado por um dos alunos do 5º período de História da UFPE, e é também dos textos que os colegas de Manassés Antonio Honório devem ler como base para o segundo exercício escolar.



Idéia de uma história universal de um ponto de vista cosmopolita


A história em Kant é apreendida como a narração da manifestação da liberdade humana determinada por leis de caráter universal.
O filósofo na impossibilidade de pressupor um específico propósito racional nos homens ou nos seus atos em geral , não tem outra solução senão tentar descobrir um desígnio da natureza, nesta marcha absurda das coisas humanas, a partir da qual seja possível uma história que obedeça a um determinado plano da natureza.

Diante da sucessões de fatos que aparentemente não tem sentido o filósofo procura um fundamento racional para o processo histórico.

Kant sugere que, se pretendemos que o curso da história humana tenha sentido , temos que pressupor a ação de um “plano secreto “, ou de um princípio teleológico, segundo o qual os moles imediatos da história são justificados.

O fundamento ou principio para Kant é a natureza, que incutiu nos seres humanos determinados capacidades a fim de que elas possam se desenvolver. E é exatamente na história humana que os mecanismo de tal desenvolvimento são assegurados e as capacidades racional ampliada.

A mola deste mecanismo se encontra nas tendências anti-sociais dos homens, tendências essas que em virtude das misérias, tem por finalidade conduzir o humanidade a construção de uma forma de sociedade, que garanta através do rigor da lei a cada um dos seus membros o máximo de liberdade que seja compatível com a liberdade dos representantes.

1º Proposição

A natureza segue princípios com uma finalidade objetiva.
Se os movimentos históricos não possuirem uma finalidade, então nos sobra apenas o acaso e a razão não pode se guiar pelo mero acaso.

2º Proposição

Aqui na segunda proposição, Kant, por ser um idealista, da ênfase a razão que é a capacidade de ampliar as regras e os desígnios do uso de toda as suas forças muito para além do instinto natural.
Porem, diante da brevidade da vida humana o pleno desenvolvimento da razão não se dá no plano individual, e sim, na espécie.
Para Kant se não existir uma finalidade, ou seja , um fio condutor racional dado pela natureza para o processo histórico, a Natureza passa a ser suspeita de brincar infantilmente com a humanidade.

3º Proposição

A natureza foi generosa com o homem, pois proporcionou o fenômeno da racionalidade diferenciado-o enormemente dos demais animais que são guiados por meros instinto.
E através da sua própria razão os homens vão se aperfeiçoando gradativamente no sentido universal. O homem é mortal, mas é imortal na sua espécie, desse modo, há de atingir o pleno desenvolvimento das suas disposições através do aperfeiçoamento racional de sucessivas gerações.

4º Proposição

Esta é a mais importante proposição, pois nela contém o principal conceito da teoria da história Kantiana, ou seja, a “ sociabilidade insociável “ do homem, isto é, a tendência natural que o homem possui para se associar em comunidade, mas que se liga a uma resistência geral, que ameaça constantemente cindir essa sociedade.

O homem inclina-se a socialização, porque ele, desse modo desenvolve suas disposições naturais, por outro lado, quer romper com a sociedade , porque ele quer fazer tudo segundo sua própria vontade, contudo, encontra resistência dos outros membros da sociedade.
Apesar deste conflito imante do processo histórico, Kant, aponta para um interesse fundamental dos homens na instituição de relações de direito racionais, comprovadas pelo eventos históricos.

Apesar das múltiplas resistências, a humanidade aspira formas de estado justas e esta aspiração é o sentido da história.

5º Proposição

O mais elevado propósito da natureza , segundo kant, é proporcionar a maior liberdade possível ao homem, logo um antagonismo geral dos membros da sociedade, mas a liberdade deve ser submetida a mais rigorosa determinação e garantia dos limites dessa liberdade.
Os homens, cujas tendência tornam impassível viverem muito tempo em harmonia com os outros. Por causa disso, devem necessariamente ser submetido a este princípios universais que garantem a igualdade e liberdade mutua dos membros da sociedade.( Liberdade de oportunidade e igualdade perante a lei.)

Kant retira todo conteúdo matéria da sua perspectiva da historia, reduzindo todas as relações humanas a forma da lei ( formalismo Kantiano )

6º Proposição

O homem precisa de um senhor pois ele faz mau uso da sua liberdade em relação ao seu semelhante.
Uma tendência animal e egoísta de tentar constantemente infligir a lei. Por causa disso, precisa de um senhor que lhe abrigue a cumprir a lei.
Esta tarefa é a mais difícil de solucionar, de acordo com Kant, "perfeitamente impossível".
Uma aproximação da idéia no máximo. Por isso, deve ficar por ultimo.

7º Proposição

Os mesmos organismo que fazem os homens de uma determinada sociedade elaborar uma constituição civil regular entre seus membros, conduzem os Estados constituídos à criação de uma constituição universal.
Esta "sociedade das nações" só será realizada após as terríveis experiências das sucessivas guerras.
Nesta “ sociedade das nações “ cada estado mesmo o mais pequeno, terá sua segurança assegurada, não através do seu próprio poder ou do seu próprio corpo jurídico, mas de uma força unida e da decisão da vontade comum, fundamentada em leis universais.
Para Kant, é a única forma de se estabelecer a paz e sair do estado de selvageria, promovida pelas guerras.

Não dá para espera o cego acaso. "Será razoável admitir a finalidade da organização da natureza nas partes e no entanto a falta de finalidade no todo?"
As guerras obriga a nossa espécie a descobrir uma lei de equilíbrio para o antagonismo entre muitos Estados vizinhos que provém da liberdade de cada um, no sentido de introduzir uma força comum que vem dar ênfase a essa lei, e com ela uma situação cosmopolita de segurança pública entre os Estados.
Segundo Kant, já somos civilizados o suficiente, mas falta muito para que nos considerar moralizados.( A idéia de moralidade ligada a cultura constitui apenas civilização, e não moralidade no sentido da moral kantiana.)
É necessário um esforço longo de cada comunidade no intuito da melhor formação dos seus cidadãos.
(Preocupação com a educação )

8º Proposição

As relações entre os Estados atingiram um ponto tão elevado que o prejuizo jurídico de um influência negativamente os outros.

Crítica a guerra, que passará a ser não só um empreendimento complicada e duvidoso de resultados incertos para ambos as partes, mas também discutível devido as suas conseqüências para o Estado, traduzido sempre em crescentes dividas.

Cada um Estado estará interessado na manutenção do todo.

A " Sociedade das nações" como finalidade da natureza com relação a espécie humana. Uma situação cosmopolita geral, no seio da qual se venham a desenvolver todas as disposições originais da espécie humana.

9º Proposição

Uma história segundo uma idéia de como deveria ser o curso do mundo, contanto que esse curso se adaptasse a certos fins racionais.

Existe um secreto mecanismo na natureza para fundamentar tal idéia.

Sem o fio condutor racional a história seria apenas um agregado das ações humana sem finalidade objetivas.

As influências dos povos antigos mostram uma marcha regular de melhoramento da constituição política.
A idéia de uma história universal, cujo fio condutor é, de certo modo, um a priori. Para Kant, não interessa o estudo da história única e propriamente empírica.

Um comentário:

dipi disse...

Muito bom artigo! Me ajudou bastante na hora de desenvolver um trabalho sobre Emmanuel Kant numa disciplina de Teoria da História.

Valeu!