quarta-feira, maio 27, 2009

40 anos do Assassinato do Padre Antonio Henrique Pereira Neto

O campus da Universidade Federal de Pernambuco foi o local escolhido pelos matadores do Padre Antonio Henrique Pereira Neto para jogar o seu corpo, ao que parece, ainda com vida, pois quando foi encontrado verificou-se que suas mãos encrespadas guardavam alguns pedaços de capim. Era a madrugada do dia 27 de maio de 1969.
Embora o crime jamais viesse a ser solucionado, uma certeza vem dessa não solução: a tortura e morte do jovem sacerdote católico foi um recado enviado ao Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara, um bispo atento às necessidades do seu rebanho quando boa parte da sociedade brasileira preferia viver como se não estivesse ocorrendo uma ditadura no país, um cerceamento das liberdades.

Nascido em 1940 e ordenado presbítero em 1965, o jovem sacerdote estava acompanhando e orientando jovens adolescentes de classe média e dava aulas no Colégio Marista. Esse trabalho de orientação de jovens causava temor aos dirigentes do país, uma vez que a orientação da arquidiocese era de que a ação pastoral levasse à consciência social e, conscientes, os jovens poderiam superar a doutrinação que pretendia levar toda uma geração a desconhecer o que verdadeiramente vinha ocorrendo no país. O pouco tempo de vida apostólica do Padre Henrique não lhe permitiu deixar muitos escritos sobre a sua ação. Seu trabalho com os jovens consistia muito em ouvir e conversar, o que deve ter sido uma grande virtude do sacerdote que atendia a juventude, pois os jovens sempre precisam ser ouvidos, especialmente em situações de arbítrio que não lhes permitem viver os ideais que a juventude acalenta. Mas se temos poucos escritos do Padre Henrique é porque pouco se escrevia naqueles anos em que todos podiam ser suspeitos e cada anotação poderia incriminar a si mesmo ou a algum amigo.

Os jornais não noticiaram a morte do padre, e foram proibidos de noticiarem os atos fúnebres – o velório que ocorreu na Matriz do Espinheiro e o sepultamento que ocorreu no Cemitério da Várzea. Milhares de pessoas levaram, a pé, o corpo do padre desde o Espinheiro até à Várzea, um percurso de 10 quilômetros, acossados pela polícia que queria tomar o corpo do padre das mãos do povo. O assassinato do padre Henrique ocorreu dias após a tentativa de matar o estudante Cândido Pinto. Esses acontecimentos corroboram a idéia de que havia um esquadrão para matar os que se opunham ao regime.

Na nota em que informou a morte do padre Antonio Henrique Pereira Neto, a arquidiocese desejou “Que o holocausto do Pe. Antônio Henrique obtenha de Deus a graça da continuação do trabalho pelo qual doou a vida e a conversão dos algozes”.

3 comentários:

Anônimo disse...

Grande Prof. Biu... Parabéns... um texto bonito e triste ao mesmo tempo.
Grande abraço e muita luz na caminhada.
Bruno Câmara

CorVo disse...

Realmente muito bom o texto!!!
Os bons morrem cedo...
abraço

Anônimo disse...

Como o mestre não respondeu nosso e-mail, tó "roubando" as notícias de seu blog e postando no nosso.
www.sintepeam.zip.net
Augusto Souto