terça-feira, maio 05, 2009

Menos ciências nas universidades? Uma nova reforma na universidade

Recebi telefonema de um professor de Geografia. Estava horrorizado com notícia que havia lido no jornal A Folha de São Paulo. A informação era de que o Ministério da Educação está estudando o fim das disciplinas Geografia e História para o Ensino Fundamental e Médio. O mesmo ocorreria com as demais ciências, e se utiliza o argumento de que o ensino está muito fracionado e é necessário promover certa unidade dos conhecimentos. Isto vindo de um governo que estimulou o fracionamento do ensino com indicação para criação das mais diversas disciplinas que objetivam mais dividir que unir o conhecimento é, evidentemente estarrecedor. Já não estarrece tanto o modo que tais disposições vêem sendo tomadas pelo Ministério da Cultura, que tem desenvolvido a cultura de não ouvir os professores.

Houve um tempo, na Ditadura Militar que se tentou acabar com o ensino de História, criando a área de Estudos Sociais e cursos de Educação Moral e Cívica, Organização Social e Política do Brasil, para que todos pensassem do mesmo modo. A Ditadura foi derrotada, os cursos de História e Geografia permaneceram, embora enfraquecidos nos ensinos Fundamental e Médio, pois perderam carga horária. Após a Ditadura ocorreu um amplo debate com os educadores e a sociedade civil para estabelecer as Leis de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira; em governos anteriores foram estabelecidos Parâmetros Curriculares para os diversos níveis de ensino, mas as instituições de representação dos professores foram ouvidas. Isso não parece acontecer agora. E não é de hoje.

O atual governo, esse que atualmente nos gerencia, acostumou-se à obediência cega ou à compra de assentimento. A utilização de Medidas Provisórias (novo nome para Decreto Lei) ensinou ao governo que assim é mais fácil, pois essas medidas são a “pedagogia do bode na sala”, que é a colocação de algo inaceitável e, ao mesmo tempo se põe o bode na sala, com todo o fedor. Então as pessoas reclamam e se tira o bode. Com a saída do bode o inaceitável além do bode passa a ser aceito. Com a saída do bode que não concordar é porque é contrário ao interesse do Brasil, pois o gerente se tornou a própria empresa que gerencia. Não há contestação, pois todos os movimentos sociais foram cooptados, de alguma forma, e fazem parte da gerência. A política do fato consumado é que se observa em toda a prática gerencial de nossa federação.

Assim está sendo com a lenta transformação das ciências humanas – licenciaturas e bacharelatos – em cursos técnicos, pois cada vez há menos tempo para os debates quer levam à compreensão dos fenômenos para que as pessoas “aprendam as técnicas” de ensinar. O que ensinar e compreender o que se ensina é secundário. Tudo em decisão tomada no Conselho Nacional de Educação sem ouvir, realmente ouvir, os professores das ciências, pois bastou para os pedagogos com assentos no Conselho, ouvir o que diziam os pedagogos de fora do Conselho. Enquanto isso cresce o número de universidades e de cursos superiores e a qualidade desses cursos é cada vez mais questionada, pois as decisões são tomadas para atender interesses imediatos, alegrar políticos da base aliada que, sabemos constantemente, não tem base alguma, exceto a flutuação dos interesses eleitorais. E isso é aplicado à educação!!!

Talvez tenhamos, mais uma vez o silêncio das Associações dos professores de Historia, de Geografia, de Matemática, de Química, etc., pois já tivemos esse silêncio quando ocorreu a diminuição de 200 aulas das ciências, ao mesmo tempo em que ocorreu o aumento do ano letivo. E tudo imposto, ou negociado com um bode na sala. Como dizia um pedagogo: quanto mais se fala em democracia na escola menos ela é democrática.

Esse é um governo, um gerente – e um gerente não é o dono – que fala muito em democracia, mas que conversa pouco e não gosta que lhe conteste. Só o reconhecimento e auto-reconhecimento lhe retro-alimenta e o que o impulsiona é o desejo da permanência.

Cabe a sociedade discutir se quer essa nova reforma do ensino universitário.

3 comentários:

Monyk disse...

Oi, pode me ajudar, Por favor?
Preciso fazer uma pesquisa, costumo ler muito os seus textos e preciso de uma fonte que esteja disponivel na internet sobre os recursos naturais encontrados no Brasil do século XVII.
Qualquer autor que retrate o que foi visto por aqui no período filipino....

Meu e-mail:monykferreira@hotmail.com

Anônimo disse...

Oi, pode me ajudar, Por favor?
Preciso fazer uma pesquisa, costumo ler muito os seus textos e preciso de uma fonte que esteja disponivel na internet sobre os recursos naturais encontrados no Brasil do século XVII.
Qualquer autor que retrate o que foi visto por aqui no período filipino....

Meu e-mail:monykferreira@hotmail.com

Outras Palavras disse...

Biu Vicente

Decepcionante este governo, então.
Não por eu ser professor de História (também por isto!), mas, sim, porque desistir das ciências é retroceder para antes da Ilustração.

Decepcionante. É a palavra que mais me vem à mente.